O Museu Histórico Municipal Padre Fernando Nagel, em Maravilha, guarda documentos que ajudam a contar a história da ocupação e da formação de cidades do Oeste catarinense. Parte desse acervo está relacionada à Companhia Territorial Sul-Brasil, responsável pela comercialização de terras na região, e reúne registros históricos que se aproximam de um século de existência.
Para melhorar a conservação desse material e facilitar o acesso da população, o município está investindo R$ 289,4 mil na ampliação do museu e na implantação de um arquivo público municipal.
Em entrevista ao programa Radar, da Rádio Centro Oeste, nesta terça-feira (27), o historiador Carlos Eduardo Rodrigues explicou que a proposta é dar uma nova função à estrutura, transformando o espaço ampliado em um local adequado para armazenar, organizar e disponibilizar a documentação histórica.
Segundo ele, o acervo atende desde pesquisadores interessados no processo de colonização até moradores que precisam localizar informações sobre familiares e propriedades.
“Quando fecha o escritório em Palmitos, as coisas são transferidas para Maravilha. Então, o Museu Histórico tem documentação de compra e venda de terra, toda a movimentação da Companhia Territorial Sul-Brasil no Oeste de Santa Catarina”, explicou Carlos Eduardo.
Historiador Carlos Eduardo Rodrigues esteve no programa Radar (Foto por Raquel Cristine)O entrevistado destacou que o volume de documentos é expressivo e vai além dos registros em papel.
“O nosso arquivo documental é enorme. O nosso arquivo de mapa, cartográfico, é grande”, afirmou.
A coleção inclui contratos de compra e venda, fichas de impostos, correspondências trocadas entre os escritórios da companhia e documentos de relações com os governos estadual e federal, além de registros ligados à busca por investidores.
A relevância do arquivo não se limita à pesquisa acadêmica. Conforme Carlos Eduardo, moradores também procuram o museu para encontrar documentos antigos que possam ajudar a esclarecer questões relacionadas a heranças, terrenos e à história de suas famílias.
“Eu preciso de uma documentação que tem ali, de uma ficha de contrato de compra que tem o sobrenome do meu avô, porque eu preciso fazer o inventário”, relatou, ao exemplificar uma das situações que chegam ao museu.
Ele também mencionou casos em que os registros são procurados para comprovar informações sobre a origem de antepassados. A documentação histórica pode, portanto, ter utilidade prática para famílias que precisam reconstruir sua trajetória ou localizar informações sobre imóveis adquiridos há muitas décadas.
Para Carlos Eduardo, a ampliação é necessária justamente porque o espaço atual não oferece condições adequadas para todas essas atividades. O museu funciona em uma casa de madeira construída na década de 1960, que também tem importância histórica por ter abrigado atividades ligadas à Companhia Territorial Sul-Brasil.
“Hoje nós não temos uma estrutura adequada para essa conservação e, posteriormente, para essa consulta também. Então, a gente está falando de uma casa de madeira da década de 60, que não tem uma estrutura bem definida para tudo isso”, explicou.
A intenção é que a nova construção permita melhorar o armazenamento dos documentos e oferecer condições mais apropriadas para o atendimento de quem precisa consultar o material. Além dos registros em papel, o projeto prevê espaço para mapas, fotografias, documentos audiovisuais e materiais de áudio, como fitas e cassetes.

A concentração desse acervo em Maravilha está diretamente ligada à história da Companhia Territorial Sul-Brasil e à atuação da empresa no processo de colonização regional.
De acordo com Carlos Eduardo, a casa que atualmente abriga o museu foi construída na década de 1960 para receber o Banco Nacional do Comércio, subsidiário da companhia. O banco atuava nas relações econômicas ligadas à compra e à venda de terras.
No início da década de 1970, o imóvel passou a abrigar um escritório da própria Companhia Territorial Sul-Brasil. Naquele período, as atividades anteriormente concentradas em Palmitos foram transferidas para Maravilha, que passou a desempenhar um papel importante nas operações de colonização conduzidas pela empresa no Oeste catarinense.
É essa trajetória que ajuda a explicar a quantidade e a importância dos registros preservados no museu. Os documentos permitem investigar como as terras foram comercializadas, quais relações foram estabelecidas entre a companhia e os órgãos públicos e de que forma ocorreu parte do processo de formação dos municípios da região.
A expectativa da administração municipal é que o novo arquivo amplie as possibilidades de pesquisa e torne a documentação mais acessível a interessados de diferentes cidades.
“A nossa ideia é instalar um arquivo público ali e, consequentemente, facilitar a vida do pesquisador, facilitar a vida do interessado no processo de colonização”, afirmou Carlos Eduardo.

O projeto de investimento de R$289,4 mil prevê uma nova construção nos fundos do museu. Embora faça parte do conjunto da instituição, o novo espaço não será conectado diretamente à casa histórica.
Segundo Carlos Eduardo, essa decisão permite ampliar a área disponível sem realizar uma intervenção direta na estrutura original, que é tombada. A proposta passou por uma revisão arquitetônica depois de ter permanecido arquivada por um período.
Museu Histórico Municipal Padre Fernando Nagel passará por ampliação em Maravilha (Foto por ASCOM)O projeto começou a ser discutido entre 2022 e 2023 e foi retomado posteriormente, com alterações para adequar a construção à função de arquivo público. A revisão considerou as necessidades de organização, conservação e consulta dos documentos.
Com a obra, Maravilha busca criar uma estrutura voltada à preservação de registros que ultrapassam a história do próprio município. O acervo da Companhia Territorial Sul-Brasil reúne informações sobre a ocupação territorial e a formação de cidades do Oeste catarinense, além de documentos que continuam sendo procurados por pesquisadores e famílias.
A implantação do arquivo público municipal pretende, assim, oferecer melhores condições para preservar esse patrimônio documental e permitir que registros produzidos há décadas continuem contribuindo para a compreensão da história regional.







