
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou nesta quinta-feira (22), durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, a criação do chamado “Conselho da Paz”, órgão que, segundo ele, terá poderes amplos para supervisionar a Faixa de Gaza e conduzir a reconstrução do território palestino. O anúncio veio acompanhado de duras críticas à Organização das Nações Unidas (ONU) e da apresentação de um ambicioso projeto urbanístico batizado de “Nova Gaza”, que prevê uma extensa fileira de arranha-céus na região.
Criado pelo próprio governo norte-americano, o conselho é encarado por parte da comunidade internacional como uma tentativa de reduzir a influência da ONU em processos de mediação e reconstrução pós-conflito. Em seu discurso, Trump afirmou que a nova estrutura terá autorização “para fazer tudo o que quisermos”, não apenas em Gaza, e ressaltou que ele será o presidente vitalício do órgão, além de deter poder exclusivo de veto.
Apesar do tom crítico, Trump declarou que o conselho irá dialogar com outros atores internacionais, “incluindo a ONU”. Ainda assim, voltou a questionar a atuação da organização.
"Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo”, afirmou, ao classificar o lançamento do conselho como um “dia muito empolgante”.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresenta o documento de fundação do Conselho de Paz (Foto: Fabrice Coffrini/AFP/Carta Capital)Segundo o presidente, o trabalho do grupo começará pela Faixa de Gaza, que seria desmilitarizada e “lindamente reconstruída”, antes de expandir sua atuação para outras regiões. No evento, Trump assinou o documento que formaliza o Conselho da Paz, acompanhado por outros líderes convidados que também endossaram a iniciativa no palco.
Entre os presentes estavam o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, e a presidente do Kosovo, Vjosa Osmani.
Ao todo, cerca de 30 dos 60 líderes mundiais que aceitaram integrar o conselho participaram da cerimônia. Nenhum grande aliado ocidental marcou presença. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado, mas ainda não respondeu ao convite.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também discursou e afirmou que o novo órgão será “um conselho não apenas da paz, mas da ação”, reforçando a intenção do governo Trump de imprimir um caráter mais intervencionista à iniciativa.










