
O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, confirmou nesta terça-feira (20) que convidou o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para integrar o chamado Conselho da Paz, um colegiado de líderes internacionais que será presidido pelo próprio chefe de Estado norte-americano. O grupo será criado para supervisionar o trabalho do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), anunciado pela Casa Branca na semana passada, com a missão de coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza.
A região palestina foi praticamente destruída ao longo dos últimos anos em decorrência das operações militares de Israel, com mais de 68 mil mortos, segundo dados citados por organismos internacionais. Ao comentar o convite, Trump afirmou ter uma relação positiva com o presidente brasileiro.
“Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no conselho da paz de Gaza”, disse o norte-americano.
O Conselho da Paz faz parte da segunda fase do plano de paz para Gaza, assinado em outubro do ano passado sob mediação dos EUA. O acordo previa um cessar-fogo nos ataques de Israel ao território palestino, embora relatos recentes de integrantes de agências das Nações Unidas indiquem a continuidade de bombardeios e confrontos armados na região.
Até o momento, o Palácio do Planalto não se manifestou oficialmente sobre a aceitação do convite. Fontes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmaram que o governo brasileiro recebeu a comunicação no último fim de semana, por meio da Embaixada do Brasil em Washington.
Além de Lula, outros líderes internacionais também foram convidados. O presidente da Argentina, Javier Milei, divulgou a carta enviada por Trump em suas redes sociais e afirmou sentir-se honrado. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, agradeceu publicamente o convite na rede social X. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, também teria sido incluído, assim como dirigentes de países europeus e do Egito.
Até agora, nenhum líder palestino foi indicado para essas instâncias de governança. Os convites enviados a Milei e Peña não detalham a composição do conselho nem as regras de funcionamento. De acordo com a imprensa internacional, incluindo jornais israelenses, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu criticou a iniciativa da Casa Branca, alegando que o comitê executivo não foi coordenado com Israel e contraria a política do país.
Um rascunho de um possível estatuto do Conselho da Paz, divulgado pela emissora Bloomberg, aponta que o governo dos EUA teria solicitado US$1 bilhão para garantir assento permanente no colegiado, valor superior a R$5 bilhões na cotação atual. A cobrança, no entanto, foi negada pela Casa Branca, conforme informou a agência Reuters.
Em meio ao aumento das tensões entre Trump e líderes europeus, especialmente após a tentativa dos EUA de anexar a Groenlândia, Lula fez críticas ao presidente norte-americano. Durante cerimônia de entrega de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, no Rio Grande do Sul, também nesta terça-feira (20), o presidente brasileiro afirmou que Trump tenta “governar o mundo” por meio de publicações em redes sociais.
“Vocês já perceberam que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter? Todo dia ele fala uma coisa e todo dia o mundo fala ainda o que ele falou”, declarou, ao comentar ainda que não permite a entrada de pessoas com celular em seu gabinete.











