
A repercussão do desfile em tributo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, ultrapassou a avenida e chegou aos tribunais. Um dia após a apresentação, parlamentares e partidos de oposição anunciaram ao menos 12 ações judiciais para contestar o evento.
As iniciativas apontam possíveis irregularidades como propaganda eleitoral antecipada, abuso de poder político e econômico e uso indevido de recursos públicos. Também foram levantadas acusações de preconceito religioso contra evangélicos retratados no enredo, o que pode ampliar o debate para além da Justiça Eleitoral.
Intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói percorreu a trajetória do presidente, desde a saída de Garanhuns, em Pernambuco, a mudança para São Paulo, a atuação como líder sindical e a chegada ao Palácio do Planalto.
Lula assistiu ao desfile em um camarote do Executivo municipal, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), ministros e aliados políticos. A presença reforçou a visibilidade do evento, que teve forte conteúdo político ao longo da apresentação.
A escola também incluiu críticas a adversários do presidente. Em um dos trechos, o ex-presidente Michel Temer (MDB) aparece simbolicamente “roubando” a faixa presidencial de Dilma Rousseff. Na sequência, Lula é retratado como preso e a faixa é entregue ao personagem Bozo, referência associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Diante das críticas, o Partido dos Trabalhadores divulgou nota afirmando que o desfile constitui manifestação típica da liberdade de expressão artística e cultural assegurada pela Constituição. Segundo a legenda, a concepção e execução da apresentação ocorreram de forma autônoma pela agremiação, sem participação, financiamento ou coordenação do partido ou do presidente.
O PT também sustentou que não houve pedido de voto durante o desfile, o que afastaria a caracterização de propaganda eleitoral antecipada e qualquer discussão sobre inelegibilidade. A sigla afirmou ainda que atua em estrita observância à legislação eleitoral e que orientou previamente seus filiados e apoiadores sobre as regras do período de pré-campanha.







