
A Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) da Assembleia Legislativa de Santa Catarina realizou, na noite desta segunda-feira (9), em Florianópolis, a primeira reunião de 2026. O encontro ocorreu durante a integração entre entidades e poderes públicos com a Organização das Cooperativas de Santa Catarina (Ocesc) e reuniu parlamentares, lideranças do setor e representantes do governo estadual.
Santa Catarina é considerado o estado mais cooperativista do país. Cerca de quatro milhões de catarinenses estão associados a pelo menos uma cooperativa, número que representa mais da metade da população. O setor tem forte impacto na economia estadual e responde por aproximadamente 12% do Produto Interno Bruto (PIB) catarinense, por cerca de 70% das exportações e movimenta mais de R$ 100 bilhões por ano.
A importância do cooperativismo também se reflete na atuação da Assembleia Legislativa. Há mais de três décadas, o Parlamento mantém a Frencoop, formada atualmente por 12 deputados que atuam na defesa e no fortalecimento do setor.
O coordenador da frente parlamentar, deputado José Milton Scheffer (PP), destacou o papel do cooperativismo no desenvolvimento social e econômico do estado.
"O sistema cooperativista catarinense é muito pujante e dinâmico e tem grande importância para o desenvolvimento social e econômico do estado. Na Assembleia temos uma frente parlamentar com 12 deputados que trabalham diretamente em pautas ligadas ao cooperativismo. Já aprovamos leis de incentivo, como a legislação de apoio ao cooperativismo de energia elétrica e subsídios fiscais. Agora acompanhamos com atenção a reforma tributária e outros temas que podem impactar o setor.”
Para o deputado Mauro De Nadal (MDB), a frente parlamentar também tem a função de aproximar o Legislativo das demandas do setor produtivo.
“A frente existe justamente para fortalecer o cooperativismo e fazer essa ligação entre o Parlamento e as cooperativas catarinenses. Essa aproximação nos permite defender projetos que fortalecem o agronegócio e ajudam a garantir que o agricultor seja valorizado dentro de toda a cadeia produtiva.”
O presidente da Ocesc, Vanir Zanatta, ressaltou que o encontro busca fortalecer o diálogo entre as cooperativas e o Parlamento. De acordo com ele, cerca de 130 presidentes de cooperativas participaram da reunião, ampliando o espaço para apresentação de demandas e troca de informações.
A presidente executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Zanella, destacou que o cooperativismo tem papel central no desenvolvimento regional e na melhoria da qualidade de vida da população.
O secretário de Estado da Agricultura, Admir Dalla Cort, também enfatizou a importância do modelo para o fortalecimento do produtor rural e para a organização da produção agrícola no estado.
Durante o encontro, parlamentares reforçaram que o cooperativismo é um dos pilares da economia catarinense e contribui diretamente para o desenvolvimento de pequenas e médias cidades, além de fortalecer a agricultura familiar.
Apesar da força do setor, lideranças apontaram desafios enfrentados por algumas cadeias produtivas. Entre as principais preocupações estão a crise enfrentada pelos produtores de cebola, marcada pela oscilação de preços e aumento dos custos de produção.
A cadeia produtiva do arroz também enfrenta dificuldades relacionadas à competitividade e aos custos. Enquanto o setor leiteiro vive um cenário de instabilidade provocado pela variação de preços e pelo encarecimento da produção.
Outro tema que gera preocupação entre cooperativas e parlamentares é a reforma tributária em discussão no país. Representantes do setor acompanham o debate e avaliam possíveis impactos das mudanças no sistema de arrecadação, especialmente sobre a competitividade do agronegócio e das cooperativas.
O encontro reforçou a importância da articulação entre cooperativas, poder público e Parlamento para manter o crescimento do setor e enfrentar os desafios que afetam a produção agrícola em Santa Catarina.










