
No Sul de Santa Catarina, agricultores apaixonados por velocidade encontraram um jeito de unir trabalho e adrenalina: a arrancada de tratores. A competição reúne veículos agrícolas preparados para correr em pistas especiais e que podem atingir até 96 km/h, segundo a Associação de Pilotos de Tratores Turvenses (Apittur).
A tradição acontece há quase 40 anos em Turvo, município considerado um dos pioneiros da modalidade no país. De acordo com o presidente da associação, Alvaro Simon, a prática começou em 1987 e, desde então, reúne competidores de diferentes regiões.
“Eles pegam os tratores usados na lavoura, fazem uma preparação mais potente e colocam as máquinas na pista para todo mundo ver correr”, afirmou.
Como funciona a competição
As disputas são divididas em nove categorias, organizadas conforme a potência dos tratores. Qualquer pessoa pode participar. Entre as categorias, estão os chamados protótipos, veículos altamente modificados.“A única exigência é que tenha traseira de trator e motor agrícola. Alguns são mais modificados, outros permanecem quase originais”, explicou Simon.
A pista de Turvo é homologada pela Federação de Automobilismo do Estado de Santa Catarina e conta com: 93 metros para arrancada; 90 metros para frenagem; 30 metros de área de escape. Na maioria das categorias, três pilotos competem por bateria. O último colocado é eliminado ou segue para uma repescagem. Já na categoria protótipo, dois competidores disputam por vez. Os tempos são registrados e os mais rápidos avançam para confrontos eliminatórios.
Competição envolve famílias do agro
Diferentemente de outras modalidades do automobilismo, grande parte dos pilotos é dona do próprio veículo utilizado nas provas. O evento costuma reunir famílias inteiras ligadas ao agronegócio. Há pilotos com até 81 anos, embora a média fique entre 40 e 50 anos. A presença feminina ainda é menor, mas vem crescendo. Em média, seis mulheres participam de cada edição.
