
As exportações de Santa Catarina alcançaram US$6,13 bilhões no primeiro semestre de 2026, resultado que representa crescimento de 4,3% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O desempenho foi sustentado principalmente pela reconfiguração dos destinos comerciais, com avanço das vendas para a União Europeia, Japão, México, Paraguai e China.
O movimento de diversificação ajudou a reduzir os impactos provocados pelas medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos e pelas incertezas geradas pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Para a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), o resultado demonstra a capacidade de adaptação do setor produtivo catarinense diante de um cenário internacional desafiador.
O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, destacou que a indústria catarinense conseguiu ampliar sua presença em mercados estratégicos, mesmo diante da retração em um dos principais parceiros comerciais do estado.
“A reconfiguração dos nossos destinos comerciais demonstra a resiliência e a agilidade da indústria catarinense, que conseguiu expandir sua atuação em mercados estratégicos e compensar perdas expressivas com as vendas aos Estados Unidos”, afirmou Seleme.
As exportações para os Estados Unidos recuaram 31,3% nos primeiros seis meses de 2026. Em contrapartida, a União Europeia se consolidou como o principal destino dos produtos catarinenses no período, com crescimento de 11,5%, impulsionado pelos efeitos do acordo firmado com o Mercosul. Também houve alta nas vendas para o Japão, com 41,2%, México, com 15,2%, Paraguai, com 13,3%, e China, com 10,4%.
Entre os principais destaques da pauta exportadora catarinense está o setor de proteína animal. Os embarques de carne de aves chegaram a US$1,13 bilhão no semestre, impulsionados pela demanda de mercados como China, México, Chile, Coreia do Sul e Japão.
O segmento de carne suína também teve desempenho relevante, com vendas externas de US$873,9 milhões. O resultado foi alavancado, principalmente, pelo crescimento das exportações para o mercado japonês.Apesar da força da proteína animal, outros setores tradicionais da economia catarinense foram afetados de forma significativa pelas tarifas dos Estados Unidos, especialmente o madeireiro.
As vendas catarinenses para o mercado norte-americano somaram US$ 582,9 milhões no primeiro semestre, uma queda de 31,3%. Segundo Seleme, o recuo foi concentrado principalmente no setor madeireiro, cujas exportações para os Estados Unidos caíram 40,8%, passando de US$ 316,6 milhões para US$ 187,5 milhões.
Na avaliação do economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, alguns produtos que sofreram tarifa adicional de 50% em meados de 2025 começaram a apresentar recuperação após o fim da taxa, em março de 2026. No entanto, o cenário segue preocupante para os itens enquadrados na Seção 232.
“Essa restrição cortou pela metade o volume desses embarques, de 22 mil para 11,7 mil toneladas, e ainda não apresenta sinais de reação, pressionando a economia das regiões Serrana e do Planalto Norte catarinense”, explicou Bittencourt.
No primeiro semestre, Santa Catarina importou US$18,15 bilhões, alta de 7,9% em relação ao mesmo período de 2025. A pauta de compras externas foi liderada por insumos estratégicos e bens de capital.O cobre em formas brutas somou US$819,5 milhões, com crescimento de 24,6%. A aquisição de pneus também teve forte avanço, chegando a US$496,5 milhões, alta de 86,5%.
O setor automotivo apareceu entre os destaques das importações. As compras de partes de automóveis somaram US$ 533,1 milhões, crescimento de 17,31%, enquanto as importações de automóveis de passageiros chegaram a US$ 416,3 milhões, aumento de 22,6% no acumulado de janeiro a junho.
A expectativa da FIESC é que a pauta exportadora catarinense continue sendo impactada positivamente pelo Acordo União Europeia-Mercosul, que abre novas oportunidades para produtos locais.
“Ao mesmo tempo, a continuidade das tensões tarifárias com os Estados Unidos e o risco de um "segundo tarifaço" geram apreensão em segmentos relevantes para o estado”, lembrou o economista.
Para Bittencourt, a manutenção do crescimento das exportações e da resiliência da economia catarinense dependerá da capacidade de setores ainda impactados, como o madeireiro e o moveleiro, ampliarem a diversificação de mercados internacionais.
A estratégia é considerada essencial para reduzir a dependência de parceiros tradicionais e diminuir os efeitos de novos choques externos.









