
As novas regras ambientais da União Europeia (UE) estão mudando as condições para empresas que desejam acessar ou permanecer nas cadeias de fornecimento do mercado europeu. Para a indústria catarinense, o cenário exige preparação, principalmente de setores exportadores e de empresas que fornecem componentes, matérias-primas e produtos para clientes europeus.
Segundo Maria Teresa Bustamante, presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), as mudanças representam mais do que uma obrigação regulatória.
“Para a indústria catarinense, o Pacto Verde Europeu não deve ser visto apenas como uma exigência regulatória, mas como uma nova condição de inserção nas cadeias globais de valor”, afirma.
Um dos principais instrumentos dessa transformação é o Passaporte Digital do Produto (DPP), previsto pelo Regulamento de Concepção Ecológica para Produtos Sustentáveis (ESPR). A ferramenta deverá reunir, em formato digital, informações verificáveis sobre os produtos, incluindo composição, origem das matérias-primas, impactos ambientais, durabilidade, possibilidade de reparação, reutilização e reciclagem.
Na prática, o impacto não ficará restrito às empresas que exportam diretamente para países europeus. Indústrias catarinenses que fornecem produtos ou insumos para empresas que atuam no mercado europeu também poderão ser cobradas por informações sobre matérias-primas, processos produtivos e características ambientais dos itens comercializados.
A implementação das exigências ocorrerá de forma gradual e deverá alcançar segmentos com forte presença na economia de Santa Catarina, como os setores têxtil e de vestuário, siderurgia, alumínio, móveis e tecnologia.
A adequação envolve mais do que mudanças nos produtos. As empresas precisarão desenvolver sistemas capazes de rastrear informações, organizar dados e comprovar características e impactos relacionados à produção. Isso também aumenta a importância do controle sobre fornecedores e demais integrantes das cadeias produtivas.
A orientação é que as empresas iniciem a preparação antecipadamente, antes da entrada em vigor das regras específicas para cada setor. Entre as principais medidas estão o mapeamento da cadeia de fornecedores e da origem das matérias-primas, com ampliação da rastreabilidade.
Também será necessário estruturar e digitalizar informações sobre produtos, processos e impactos ambientais, além de medir e reduzir a pegada de carbono por meio de investimentos em eficiência e descarbonização.
Outro ponto envolve a adaptação dos produtos aos princípios da economia circular, com atenção à durabilidade, reparabilidade e reciclabilidade. As empresas também deverão garantir que as informações ambientais divulgadas possam ser comprovadas tecnicamente, reduzindo o risco de declarações de sustentabilidade sem respaldo.
Para a indústria catarinense, a mudança amplia a importância da gestão de dados ambientais e da rastreabilidade como fatores de competitividade. A capacidade de comprovar a origem, a composição e os impactos dos produtos tende a ganhar espaço como requisito para a participação em cadeias globais de fornecimento







