
A caderneta de poupança registrou mais uma vez saldo negativo entre depósitos e saques em agosto. Segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (10) pelo Banco Central (BC), as retiradas superaram as aplicações em R$ 10,5 bilhões no mês.
Durante agosto, os brasileiros depositaram R$ 357,7 bilhões na poupança, enquanto os saques alcançaram R$ 368,2 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas somaram R$ 6,5 bilhões. Mesmo com a saída líquida, o saldo total aplicado na caderneta permanece pouco acima de R$ 1 trilhão.
Agosto foi o terceiro mês consecutivo de retiradas líquidas. Em 2026, até agora, apenas maio apresentou resultado positivo, quando os depósitos superaram os saques em R$ 2,6 bilhões. No acumulado deste ano até agosto, a poupança já registra R$ 57,1 bilhões em retiradas líquidas.
O movimento ocorre em um cenário de juros elevados. A taxa Selic está em 14% ao ano, patamar que aumenta a atratividade de outras modalidades de investimento, especialmente aquelas cuja rentabilidade acompanha de perto os juros básicos da economia.
Antes disso, a Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, alcançando o maior nível em quase duas décadas. A partir de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou uma redução dos juros diante do cenário de desaceleração da inflação. Entretanto, fatores externos, como os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços de combustíveis e alimentos, dificultam uma redução mais rápida da taxa.
A sequência de resultados negativos da poupança não é recente. Em 2023, os saques líquidos chegaram a R$ 87,8 bilhões. Em 2024, foram R$15,5 bilhões. Já em 2025, a saída líquida alcançou R$ 85,6 bilhões.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para conduzir a política monetária e buscar o cumprimento da meta de inflação, atualmente estabelecida em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Quando os juros estão elevados, o crédito tende a ficar mais caro e investimentos de renda fixa podem se tornar mais atrativos, contribuindo para a migração de recursos que tradicionalmente permaneciam na poupança.



