
A aproximação das Eleições 2026 também coloca em alerta possíveis situações de pressão política dentro das empresas. Em Santa Catarina, o Ministério Público do Trabalho (MPT-SC) já recebeu 10 denúncias de assédio eleitoral envolvendo empregadores. Os procedimentos estão em fase de investigação e, na maioria dos casos, tramitam sob sigilo.
O assédio eleitoral ocorre quando trabalhadores são submetidos a algum tipo de pressão, ameaça, constrangimento ou interferência relacionada às suas escolhas políticas. A preocupação ganhou força no cenário eleitoral brasileiro após o aumento de denúncias registrado nas eleições de 2022, quando casos envolvendo empregadores e funcionários foram identificados em diferentes regiões do país.
Em Santa Catarina, Florianópolis concentra quatro das denúncias registradas neste ano, enquanto Lages aparece com outras duas. Também há procedimentos em Indaial, Itajaí, Joinville e Laguna, com um caso em cada município.
Embora os detalhes da maioria das investigações ainda não sejam públicos, o MPT-SC informou que três denúncias permitem identificar as condutas que estão sendo apuradas. Uma delas envolve suposta intimidação de trabalhadores relacionada à escolha de determinado partido como condição para contratação.
Outro procedimento investiga uma possível coação implícita de trabalhadores subordinados, acompanhada da divulgação de propaganda eleitoral no ambiente de trabalho fora do período permitido para esse tipo de publicidade. O terceiro caso apura uma suposta coação velada de trabalhadores para fins político-partidários.
A divulgação dos nomes das empresas e de outros detalhes está restrita neste momento para não comprometer as investigações nem favorecer os investigados. A partir das apurações, o Ministério Público do Trabalho poderá recomendar mudanças nas condutas e buscar reparações por meio de Termos de Ajuste de Conduta (TACs). Em situações que apresentem indícios suficientes, também pode ser ajuizada uma ação civil pública.
No cenário nacional, o MPT contabiliza 267 denúncias de assédio eleitoral relacionadas às Eleições 2026. São Paulo lidera o levantamento, com 36 casos, seguido por Rio de Janeiro, com 33, e Minas Gerais, com 19.
Santa Catarina aparece com 10 denúncias, na 12ª posição entre os estados. O número é o mesmo registrado no Ceará. Paraná tem 14 casos e Rio Grande do Sul, 11.
Considerando os três estados, a região Sul soma 35 denúncias. O número coloca a região em terceiro lugar no país, atrás do Sudeste, com 91 registros, e do Nordeste, com 73.






