
O peso das dívidas no orçamento dos brasileiros atingiu um novo patamar crítico. Dados do Banco Central indicam que a parcela da renda destinada ao pagamento de compromissos financeiros chegou a cerca de 29%, o maior nível registrado em pelo menos duas décadas.
Dentro desse percentual, mais de 10% da renda das famílias é consumida apenas com juros, evidenciando o impacto do crédito caro no dia a dia da população. O restante é direcionado ao pagamento do valor principal das dívidas.
O cenário é reflexo, principalmente, da expansão de modalidades de crédito com taxas elevadas, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial. Essas linhas, além de mais caras, apresentam altos índices de inadimplência, o que amplia o risco financeiro das famílias.
Como consequência, o atraso no pagamento de dívidas também avançou. A inadimplência já se aproxima de 7%, acima do registrado no ano anterior, indicando maior dificuldade dos consumidores em equilibrar o orçamento.
Especialistas apontam que o impacto é ainda mais intenso entre as famílias de baixa renda, que dependem mais de crédito emergencial e possuem menor capacidade de absorver imprevistos financeiros.
O aumento do comprometimento da renda com juros e dívidas já começa a refletir na economia. Com menos dinheiro disponível para consumo, o varejo desacelera e empresas adotam maior cautela na concessão de crédito, reforçando um ciclo que pode limitar o crescimento econômico nos próximos meses.





