
Com a aproximação das Eleições Gerais de 2026, a segurança das urnas eletrônicas volta a estar entre os principais pontos de atenção do processo eleitoral. A votação do primeiro turno ocorre em 4 de outubro, mas a preparação e a fiscalização dos equipamentos começam muito antes. Segundo a Justiça Eleitoral, diferentes etapas são realizadas para testar os sistemas, identificar possíveis vulnerabilidades e conferir os resultados.
De acordo com o desembargador eleitoral substituto Marcelo Volpato, que preside uma comissão do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) dedicada à integridade das urnas, os procedimentos começam cerca de um ano antes da eleição. Nesse período, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibiliza às entidades fiscalizadoras o código-fonte dos sistemas que serão utilizados no pleito.
A abertura do código permite a análise dos programas e a identificação de possíveis vulnerabilidades. Também faz parte do processo o Teste Público de Segurança, que permite a participação de cidadãos brasileiros maiores de 18 anos interessados em apresentar formas de tentar atacar os sistemas eleitorais. As sugestões são avaliadas pelo TSE e podem resultar em melhorias nos mecanismos de proteção.
“Todas as sugestões que são feitas nesses dois sistemas de segurança são depois avaliadas pelo TSE e as boas práticas, as boas ideias são incorporadas para melhorar e aumentar a segurança das urnas eletrônicas”, explica Volpato.
Outro mecanismo está relacionado à própria estrutura das urnas. Os equipamentos não possuem conexão com internet, Wi-Fi ou Bluetooth, impedindo acessos remotos por essas vias. Além disso, utilizam um sistema desenvolvido pelo TSE e são programados para aceitar somente programas elaborados pelo tribunal. Assinaturas digitais e criptografia também são utilizadas para verificar a autenticidade dos programas instalados.
No dia da eleição, os mecanismos de fiscalização incluem o Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas, conhecido também como votação paralela. Em Santa Catarina, urnas sorteadas na véspera do primeiro turno serão levadas para Florianópolis e submetidas a uma votação pública. A previsão é que o procedimento ocorra na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), das 8h às 17h, simultaneamente à votação oficial.
Durante o teste, votos previamente definidos são registrados em cédulas de papel e posteriormente digitados nas urnas eletrônicas sorteadas. Ao final, os resultados registrados eletronicamente são comparados com os votos das cédulas. Segundo Volpato, o procedimento é realizado há 24 anos e, nesse período, não foram identificadas inconsistências entre os resultados utilizados na conferência.
A fiscalização continua após o encerramento da votação. Às 17h, cada urna imprime o boletim de urna, documento que apresenta os votos registrados naquela seção eleitoral. Esses dados permitem uma conferência posterior com a totalização oficial, que é centralizada pelo TSE.
A transmissão dos resultados ocorre por meio de uma rede própria e criptografada da Justiça Eleitoral. Com os boletins impressos em cada seção, é possível comparar os números registrados localmente com os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral. Para Volpato, essa possibilidade de conferência representa uma etapa adicional de verificação do processo.
“O resultado já está lá, impresso às 17 horas em cada uma das seções eleitorais”, afirma.