
O candidato ao Governo de Santa Catarina pelo Campo Democrático, Gelson Merisio (PSB), explicou sua aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e apresentou algumas das prioridades que pretende defender nas eleições de 2026. Em entrevista ao jornalista Roberto Azevedo, da DSC Floripa, ele também fez críticas aos governos de Jair Bolsonaro e Jorginho Mello.
Adversário de Lula nas eleições de 2018, quando concorreu ao governo catarinense pelo PSD e apoiou Bolsonaro no primeiro turno, Merisio afirmou que sua mudança política começou antes da disputa presidencial de 2022. Naquele ano, segundo ele, uma conversa de aproximadamente duas horas com Lula, em São Paulo, deu início a uma relação de amizade e admiração.
Merisio justificou o apoio a Bolsonaro em 2018 como uma tentativa de acompanhar o posicionamento majoritário do eleitorado catarinense. No segundo turno estadual daquele ano, entretanto, Bolsonaro declarou apoio a Carlos Moisés, que venceu a eleição com cerca de 71% dos votos válidos, contra aproximadamente 29% de Merisio.
Na avaliação do candidato, o governo Bolsonaro não trouxe resultados administrativos relevantes para Santa Catarina e falhou na relação institucional com o Estado. Ele citou o rompimento entre Bolsonaro e Moisés, a falta de visitas oficiais e a condução da pandemia como fatores que contribuíram para sua mudança de posição.
“O mandato do Bolsonaro, na minha concepção, foi uma tragédia para Santa Catarina”, declarou.
Merisio afirmou que, apesar de manter contato com Lula desde 2022, não ocupou cargos nem participou do atual governo federal.
De acordo com Merisio, uma nova conversa com Lula, ocorrida há pouco mais de 90 dias, foi decisiva para que aceitasse disputar o Governo de Santa Catarina. Até aquele momento, segundo ele, não havia intenção de participar das eleições de 2026.
O candidato também criticou a postura do governador Jorginho Mello diante do governo federal. Para Merisio, divergências políticas são legítimas, mas não podem impedir a manutenção de uma relação administrativa e institucional entre o Estado e a União.
Merisio ainda acusou o atual governo de utilizar a publicidade para associar conquistas históricas de Santa Catarina à gestão dos últimos anos. Segundo ele, os bons indicadores catarinenses são resultado de um processo construído durante décadas e não de um único grupo político.

Entre as principais propostas apresentadas por Merisio na entrevista estão reformas nas áreas de educação, saúde e segurança pública. Ele afirmou que esses setores representam as principais responsabilidades do governo estadual e devem receber prioridade antes de novos projetos de infraestrutura.
Na educação, ele defendeu a valorização salarial dos professores e a redução do número de profissionais admitidos em caráter temporário. Conforme os números mencionados pelo candidato, 67% dos professores da rede estadual seriam ACTs, enquanto Santa Catarina teria o 21º pior salário do país para a categoria.
“Fazer com profundidade uma reforma da educação, a começar pelo salário dos professores, requer investimento e prioridade”, afirmou.
Merisio informou que o plano para o setor está sendo elaborado com a participação da ex-secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro Cláudia Costin e da deputada estadual Luciane Carminati.
Na saúde, o candidato disse estar formando uma equipe multidisciplinar para analisar indicadores como a mortalidade infantil e identificar as causas das diferenças em relação a estados como o Paraná. Na segurança pública, afirmou ter conversado com José Mariano Beltrame, ex-secretário de Segurança do Rio de Janeiro, sobre possíveis medidas para Santa Catarina.
Como estratégia de campanha, Merisio pretende apresentar antes do primeiro turno os nomes dos dez principais secretários de um eventual governo. A proposta, segundo ele, é permitir que o eleitor conheça não apenas o candidato, mas também a equipe responsável pela administração estadual.
“Você pode escolher não só uma pessoa, mas uma equipe”, declarou.
Para Merisio, a montagem de um grupo técnico qualificado será o primeiro passo para recuperar indicadores e promover mudanças nas áreas consideradas essenciais.








