
A Federação Argentina de Futebol, a AFA, entrou no radar das autoridades dos Estados Unidos em uma investigação de grande impacto sobre possíveis irregularidades financeiras. O caso é conduzido pelo Departamento de Justiça norte-americano, com participação do FBI, e apura operações realizadas pela entidade no sistema financeiro dos Estados Unidos.
Segundo informações divulgadas pelo jornal argentino La Nación, investigadores começaram a colher depoimentos para entender como a AFA, comandada por Claudio “Chiqui” Tapia, movimentou centenas de milhões de dólares fora da Argentina. A suspeita é de que parte dessas operações possa se enquadrar em crimes como fraude bancária ou lavagem de dinheiro.
Um dos pontos centrais da investigação envolve a empresa TourProdEnter LLC, ligada ao produtor teatral Javier Faroni. A companhia teria recebido contratos comerciais da AFA no exterior e administrado ao menos US$260 milhões em receitas da federação por meio de contas abertas em cinco instituições financeiras dos Estados Unidos.
De acordo com documentos citados pela imprensa argentina, parte dos valores movimentados não teria relação direta com despesas operacionais identificáveis da entidade. Os investigadores também apuram a distribuição de cerca de US$57 milhões entre sociedades e beneficiários sem justificativa econômica apontada na documentação analisada.
Entre os contratos que passaram pela empresa estariam pagamentos de grandes marcas internacionais, incluindo Adidas, com valor de US$60 milhões, e Warner, com US$40 milhões. As operações ocorreram em um período marcado por fortes restrições cambiais na Argentina e diferentes cotações do dólar.
O contrato entre a TourProdEnter e a AFA, válido até dezembro de 2026, previa que a empresa ficaria com 30% das receitas internacionais da federação, já descontados os impostos, além de comissão de 10% sobre despesas de logística. Também estão sob análise possíveis pagamentos a empresas ligadas a dirigentes e familiares.
Até o momento, a AFA e Claudio Tapia não se manifestaram oficialmente sobre o caso. A investigação ainda está em fase inicial e, até agora, não há denúncia formal ou acusação criminal apresentada contra a federação ou seus dirigentes.



