No Uruguai, Leão XIV pede que sul-americanos unam-se
Primeira missa do papa na América do Sul reuniu cerca de 40 mil pessoas, segundo o Vaticano. A viagem de 12 dias segue pela Argentina e pelo Peru até 17 de novembro
Pontífice está na América do Sul (Foto por VATICAN MEDIA)
O papa Leão XIV pediu, no sábado (7), que os povos da América do Sul superem suas divisões ao presidir a primeira missa da viagem ao continente, em Paysandú, cidade uruguaia na fronteira com a Argentina. A celebração, realizada no Parque París Londres, reuniu cerca de 40 mil pessoas, segundo o Vaticano.
Muitos fiéis passaram a noite à espera do pontífice sob chuva forte, que diminuiu pouco antes da chegada dele. Mais de 30 mil pessoas, entre elas peregrinos da Argentina e do Brasil, tinham se inscrito antecipadamente. Leão percorreu o local em um papamóvel aberto, entre aplausos e buzinas.
A ponte como símbolo
Na homilia, o papa se inspirou na Ponte Internacional General Artigas, que liga o Uruguai à Argentina e foi atravessada por muitos peregrinos para chegar à missa.
“Não é difícil imaginar os benefícios que uma ponte traz: abertura, comunicação e intercâmbio. É por isso que é tão importante sermos construtores de pontes!”
Leão também afirmou que essa é a vocação de todos: “construir pontes, fortalecer laços, unir, comunicar”. Além da ponte, ele usou como símbolos os palmeirais e o mate, bebida compartilhada em roda que, segundo o papa, representa familiaridade, amizade e encontro.
O pontífice pediu ainda que os latino-americanos ajam uns com os outros com “justiça, honestidade e fidelidade”. A missa homenageou o Beato Jacinto Vera, bispo uruguaio do século 19.
Viagem de 12 dias por três países
Paysandú foi escolhida pelo Vaticano para a primeira missa da viagem por ser de fácil acesso a peregrinos de toda a região. Leão é o primeiro papa a visitar a cidade. O Uruguai é considerado o país mais secular da América Latina.
Aos 71 anos, o papa faz uma das viagens internacionais mais exigentes de um líder católico nas últimas décadas. O roteiro começou menos de um mês depois de uma cirurgia para tratar um câncer de pulmão. Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, Leão atuou por décadas como missionário no Peru e se tornou cidadão peruano. O Vaticano trata a viagem como um retorno às origens dele.
O pontífice chegou ao Uruguai na sexta-feira (6). No primeiro discurso, dirigido a autoridades do governo uruguaio, incentivou os países sul-americanos a enfrentar juntos as questões regionais e a dar exemplo de cooperação internacional.
Próximos passos
Ainda no sábado, Leão tinha compromissos em Montevidéu, entre eles uma vigília de oração com expectativa de cerca de 60 mil jovens e uma visita a Casavalle, bairro da periferia da capital marcado pela violência ligada ao tráfico de drogas.
O papa encerra a passagem pelo Uruguai na manhã de domingo (8). À tarde, segue para a Argentina, onde deve se encontrar com o presidente Javier Milei. A viagem termina no Peru, no dia 17. Durante o roteiro, ele deve tratar de temas que afetam o continente, como a destruição ambiental, o tráfico de armas e a instabilidade política regional.
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