Uruguai retoma compra de aves do Brasil e veto fica restrito a SC
Com a decisão uruguaia, nenhum parceiro mantém embargo nacional ao setor avícola, mas 11 países ainda barram produtos de Santa Catarina, segundo o Ministério da Agricultura
Todos os casos de Newcastle foram em granjas de perus (Foto por Mark Stebnicki/Pexels)
O Uruguai voltou a comprar produtos avícolas brasileiros. A decisão, anunciada na sexta-feira (6), encerrou a última restrição de alcance nacional aplicada ao Brasil após a confirmação da doença de Newcastle em Santa Catarina. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), os embargos que atingiam o país inteiro foram revertidos em 19 dias.
O primeiro foco foi identificado em 18 de outubro, em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste catarinense. Como a RCO mostrou, o estado chegou a quatro focos confirmados na região. A área de restrição abrange Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, e o Brasil mantém suspensas as exportações de produtos dessa área.
Quem recuou e quem ainda mantém restrições
No início da crise, Uruguai, México e Malásia adotaram medidas que valiam para todo o território brasileiro. O México suspendeu as compras em 19 de outubro e as retomou para os demais estados em 30 de outubro. A Malásia reconheceu a regionalização sanitária em 5 de novembro. O Uruguai, que havia proibido a entrada e o trânsito de aves suscetíveis à doença e de seus derivados, passou a limitar o veto a Santa Catarina.
A China, um dos principais destinos da produção brasileira, reviu a decisão em menos de 24 horas após a nova ocorrência, segundo o Mapa. A regionalização é o reconhecimento de que o problema está concentrado em uma região, o que permite ao comprador restringir só os produtos de lá, sem barrar o país todo.
Ainda mantêm restrições a Santa Catarina China, Chile, Peru, Turquia, Paraguai e Uzbequistão, além dos integrantes da União Econômica Eurasiática: Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia. O Mapa contabiliza 11 países com limitações ao estado.
Impacto e próximos passos
Com os embargos concentrados em Santa Catarina, o Mapa estima impacto de cerca de 15 mil toneladas por mês. O volume equivale a 3% da média mensal exportada pelo Brasil, de aproximadamente 500 mil toneladas.
Em 2024, após um foco no Rio Grande do Sul confirmado em 18 de julho, a reversão das restrições nacionais levou 74 dias e foi concluída em 30 de setembro. O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, comparou os dois períodos.
"Em 2024, foram 74 dias. Agora, apenas 19."
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Augusto Billi, afirmou que o reconhecimento da regionalização permite aos parceiros avaliar as condições sanitárias de cada região, sem estender restrições automaticamente a todo o país.
O governo federal agora negocia com os mercados restantes para que as restrições se limitem à área efetivamente afetada, seguindo os princípios da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). O Mapa reforça que os produtos avícolas submetidos à inspeção oficial seguem seguros para o consumo.
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