
A educação sanitária passou a integrar as principais ações de enfrentamento à Doença de Newcastle no Oeste de Santa Catarina. Além das medidas de vigilância e controle nas propriedades rurais, a força-tarefa responsável pela resposta à emergência zoossanitária intensificou o trabalho de orientação a produtores, estudantes e à comunidade sobre prevenção, biosseguridade e identificação de situações suspeitas.
Coordenada pelo Centro de Operações de Emergência Zoossanitária (Coezoo), a operação reúne 124 profissionais de diferentes instituições, incluindo 90 agentes da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), além de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI), do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa) e da Polícia Civil.
Conforme dados atualizados até quarta-feira (28), as equipes iniciaram os trabalhos no terceiro foco confirmado da doença, em uma propriedade comercial de perus de corte em Nova Erechim. A operação também mantém cinco barreiras sanitárias para desinfecção e controle do trânsito de veículos, além de ações de inspeção em propriedades rurais.
Entre as iniciativas educativas realizadas pela força-tarefa estão palestras para aproximadamente 320 alunos da Escola Dr. Serafin Enoss Bertaso, em Nova Itaberaba, fiscalizações acompanhadas de orientações em lojas agropecuárias e a participação em uma reunião do Conselho Municipal de Saúde Agropecuária de Nova Erechim.
As equipes também elaboraram a cartilha informativa Doença de Newcastle: Perguntas e Respostas, com o objetivo de esclarecer dúvidas e ampliar o acesso da população a informações sobre a enfermidade. O trabalho educativo ocorre ainda durante as visitas técnicas às propriedades rurais, com orientações individualizadas aos produtores sobre os cuidados necessários para proteger as criações.
Um dos principais temas abordados é a biosseguridade, conjunto de medidas destinadas a impedir a entrada e a disseminação de agentes causadores de doenças nos plantéis. Entre os cuidados recomendados estão restringir o acesso de pessoas e veículos às áreas de criação, higienizar e desinfetar instalações, materiais e equipamentos e adotar práticas adequadas no manejo das aves.
Outro ponto reforçado pelas equipes é a necessidade de comunicar imediatamente à Cidasc qualquer sinal ou situação suspeita. A notificação permite que os órgãos responsáveis investiguem o caso e, quando necessário, adotem as medidas sanitárias para conter a disseminação da doença.
A força-tarefa também orienta a população sobre o consumo de produtos de origem animal. Conforme as informações sanitárias oficiais, produtos provenientes de estabelecimentos submetidos ao serviço oficial de inspeção sanitária e identificados com o selo correspondente não representam risco à saúde do consumidor.
A mobilização ocorre após a confirmação de três focos da Doença de Newcastle em estabelecimentos comerciais de criação de perus.
O primeiro foi identificado em Nova Itaberaba, em 18 de outubro. Nesse local, os procedimentos de retirada das aves, limpeza e desinfecção foram concluídos, e a propriedade entrou em período de vazio sanitário em 23 de outubro.
O segundo foco foi detectado em 24 de outubro, em uma propriedade de Coronel Freitas localizada na área perifocal. A retirada e o enterrio das aves, da cama e da ração foram finalizados, enquanto os trabalhos de limpeza e desinfecção das instalações e dos equipamentos avançavam.
O terceiro foco foi confirmado em 26 de outubro, em Nova Erechim. Uma barreira sanitária foi instalada no acesso à propriedade, e o processo de retirada das aves começou na quarta-feira (28).
Paralelamente às atividades educativas e aos procedimentos sanitários nos locais afetados, 51 equipes atuaram nas inspeções em propriedades rurais na quarta-feira (28). Até a atualização divulgada pelo Coezoo, haviam sido vistoriadas 362 propriedades com criações de subsistência e 57 estabelecimentos de criação comercial.
As informações sobre a ocorrência sanitária são comunicadas continuamente à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Com a combinação de vigilância, controle sanitário e educação, a força-tarefa busca ampliar o conhecimento sobre a Doença de Newcastle, incentivar a adoção de medidas preventivas e fortalecer a participação de produtores e da comunidade no enfrentamento da emergência zoossanitária.
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