
Santa Catarina ampliou de 13 para 27 o número de municípios com convênios autorizados para implantação do Sistema Antigranizo entre 2025 e 2026. A iniciativa, que busca diminuir os danos causados por tempestades à produção agrícola, conta com R$ 17,6 milhões autorizados e prevê a instalação ou manutenção de geradores que atuam na formação das pedras de gelo nas nuvens.
Atualmente, o sistema está em operação em 17 municípios catarinenses, enquanto outros 10 estão em fase de implantação. Ao todo, há 228 geradores autorizados, em funcionamento ou com instalação em andamento. Além disso, outros 10 municípios já manifestaram interesse em aderir à tecnologia.
A expansão representa um crescimento de 107,7% no número de municípios contemplados por convênios em relação ao ano passado. O sistema já está presente em regiões como Ituporanga, Videira e Fraiburgo e São Joaquim, que concentram atividades agrícolas como a produção de frutas, uvas e cebola.
O Sistema Antigranizo utiliza informações de radares meteorológicos para identificar condições favoráveis à formação de granizo. A partir disso, geradores instalados no solo queimam iodeto de prata e liberam o composto nas nuvens.
A tecnologia busca favorecer a formação de um número maior de pedras de gelo menores, reduzindo o tamanho do granizo que chega ao solo e, consequentemente, os possíveis danos às plantações. Cada gerador tem uma área de cobertura estimada em um raio de aproximadamente cinco quilômetros.
O meteorologista João Luís Rolim, diretor da AGF Antigranizo Fraiburgo, explica que o sistema atua diretamente nas nuvens para reduzir a formação de pedras grandes de granizo. Cada gerador utiliza iodeto de prata e possui uma área de cobertura de aproximadamente cinco quilômetros de raio.
“O processo trabalha na nuvem para diminuir ou impedir o granizo. Ao invés de termos pedras grandes, formam-se muitas pequenas, que na queda podem se dissolver ou chegar ao solo com tamanho reduzido”
Os efeitos do granizo vão além dos danos diretos às plantações e podem comprometer a qualidade dos produtos que chegam ao mercado. O gerente comercial de uma empresa de frutas e boxista da Ceasa-SC, Ricardo Camilo, afirma que o sistema contribui para preservar a produção e reduzir perdas.
“O Sistema Antigranizo é muito importante. Quem tem essa tecnologia no pomar reconhece a importância dela para uma boa colheita. É um ganho para Santa Catarina, principalmente pelo custo-benefício. O sistema ajuda a proteger a produção, evitando que as frutas sejam machucadas e percam qualidade. Isso permite que uma fruta melhor chegue aos boxistas e ao consumidor, contribuindo também para uma melhor remuneração do produtor ao revendedor”, afirma.
Segundo ele, frutas atingidas pelo granizo podem perder qualidade, prejudicando sua comercialização e a remuneração dos produtores. A proteção das plantações, nesse contexto, também beneficia os revendedores e consumidores.
A ampliação do sistema busca atender mais áreas produtoras diante dos riscos provocados por eventos climáticos. A tecnologia, no entanto, tem como objetivo reduzir os impactos do granizo, e não eliminar os riscos associados às tempestades.
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