
O posicionamento político de um comerciante deve ser motivo para consumidores deixarem de comprar em seu estabelecimento? A discussão chegou à tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) na manhã desta quinta-feira (29), após a circulação de campanhas nas redes sociais que incentivam o boicote a empresas por causa das opiniões políticas de seus proprietários.
O deputado estadual Fernando Krelling (MDB) criticou esse tipo de iniciativa e defendeu que as divergências políticas não sejam transformadas em motivo para prejudicar comerciantes. Em seu pronunciamento, o parlamentar destacou a necessidade de respeitar quem pensa diferente, mesmo em um cenário de polarização e insatisfação política.
Krelling reconheceu que o processo eleitoral deste ano, que resultou na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gerou dúvidas e incertezas em parte da população. Apesar das divergências em torno das eleições, argumentou que as diferenças de posicionamento não devem impedir a convivência entre as pessoas.
“Mais empatia, gente, mais respeito, e que possamos agir e saber lidar com uma sociedade que pensa diferente, verdadeiramente”, afirmou o deputado.
Para reforçar a mensagem, Krelling recorreu à Parábola do Bom Samaritano, ensinamento bíblico que destaca a solidariedade e a disposição de ajudar o próximo, independentemente de diferenças ou vínculos com determinados grupos.
“Jesus deixou a mensagem de que é preciso agir bem com as demais pessoas, mesmo quando, muitas vezes, elas não pensam igual a você. Então, você precisa estender o braço também para aquele que não está no seu grupo, e não só abastecer a sua bolha”, declarou.
A manifestação recebeu o apoio dos deputados Neodi Saretta (PT), Rodrigo Minotto (PDT) e Mário Motta (PSD). Os três também defenderam o respeito às diferenças políticas e a necessidade de manter a convivência entre pessoas que possuem opiniões distintas.
O debate na Alesc coloca em evidência os efeitos da polarização política nas relações cotidianas e na atividade comercial. Com o tema levado à tribuna, os parlamentares defenderam que as divergências de opinião não sejam um obstáculo ao respeito e à convivência em sociedade.
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