
O governo do Irã deu mais um passo na escalada de controle sobre uma das principais rotas marítimas do mundo ao aprovar a cobrança de pedágio para navios que atravessam o Estreito de Ormuz. A decisão foi tomada pela Comissão de Segurança do Parlamento iraniano nesta segunda-feira (30) e ainda integra um conjunto de medidas com impacto direto no comércio global de petróleo.
A regulamentação estabelece a cobrança de taxas em rial, moeda iraniana, para embarcações que utilizarem a passagem, além de reforçar mecanismos de fiscalização e segurança sob responsabilidade das forças armadas do país. O plano também prevê a proibição da navegação de navios ligados aos Estados Unidos e a Israel, ampliando o viés geopolítico da medida.
Segundo a imprensa estatal iraniana, a iniciativa busca consolidar a soberania do país sobre o estreito, considerado estratégico para o fluxo energético global. A via marítima é responsável por cerca de 20% do petróleo transportado no mundo, o que transforma qualquer alteração no tráfego em um fator de pressão direta sobre os preços internacionais.
A decisão ocorre em meio à crise no Oriente Médio, intensificada após confrontos envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Desde o início do conflito, o trânsito de embarcações no Estreito de Ormuz despencou drasticamente, chegando a cair mais de 90% em março, evidenciando o impacto imediato da tensão sobre o comércio marítimo.
Além da cobrança, o plano iraniano inclui exigências de controle sobre informações das embarcações, como carga e destino, antes da autorização para passagem. Em alguns casos, taxas elevadas já teriam sido aplicadas, indicando que o modelo de pedágio vinha sendo implementado na prática antes mesmo da formalização.
A medida aumenta a incerteza nos mercados internacionais, com potencial de elevar custos logísticos, pressionar a inflação e desacelerar economias dependentes da importação de energia. Analistas apontam que qualquer restrição prolongada no Estreito de Ormuz pode provocar efeitos em cadeia no abastecimento global e nos preços do petróleo.







