
O Brasil deve ter, em aproximadamente seis meses, o primeiro fitoterápico industrializado desenvolvido a partir da planta quebra-pedra (Phyllanthus niruri), tradicionalmente usada no tratamento de distúrbios urinários. O medicamento será disponibilizado no Sistema Único de Saúde (SUS) e combina conhecimentos tradicionais com pesquisa científica moderna.
O projeto integra saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares com estudos laboratoriais, seguindo a legislação brasileira sobre acesso a conhecimentos tradicionais e repartição justa de benefícios. A iniciativa transforma o uso popular da planta em um medicamento com padrão farmacêutico, controle de qualidade e comprovação científica.
Para atender às exigências da Anvisa, a produção envolve parceria entre o PNUD e a Fiocruz, por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos, Farmanguinhos, além de um acordo com o Ministério do Meio Ambiente para estimular pesquisas e novos fitoterápicos a partir da biodiversidade brasileira.
O projeto tem investimento de R$ 2,4 milhões, destinados à compra de equipamentos, adequação de maquinário, estudos laboratoriais e visitas técnicas. O financiamento é do Fundo Global para o Meio Ambiente, e o objetivo é ampliar o acesso da população a medicamentos fitoterápicos seguros, estimular o uso sustentável da flora brasileira e fortalecer a indústria farmacêutica nacional.
A pesquisadora Maria Behrens, da Fiocruz, explica que o fitoterápico atua em diferentes etapas da litíase urinária, condição caracterizada pela formação de cálculos no trato urinário. Segundo ela, não há atualmente no mercado um medicamento que atue de forma integrada nessas fases, e o novo produto seguirá protocolos rigorosos desde a matéria-prima até o produto final.
Após a produção de lotes-piloto, serão feitos estudos de estabilidade exigidos pela Anvisa. A previsão é que o medicamento esteja disponível no SUS em até dois anos, conforme a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. A iniciativa também deve impulsionar toda a cadeia produtiva, envolvendo produção sustentável da planta, desenvolvimento científico e participação dos detentores dos saberes tradicionais.










