
O Brasil começou 2026 com um cenário alarmante no combate à violência contra a mulher. Nos três primeiros meses do ano, 399 mulheres foram vítimas de feminicídio, conforme levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na prática, isso significa que uma mulher foi assassinada a cada pouco mais de cinco horas no país.
Esse é o pior resultado já registrado para o primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 2015. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve aumento de 7,55% nos casos, reforçando uma tendência de crescimento que preocupa autoridades e especialistas.
Para se ter uma ideia da evolução, há dez anos o país contabilizava 125 vítimas nos primeiros meses do ano. Agora, o número mais que triplicou, ultrapassando inclusive os registros considerados altos em anos recentes, como 2022 e 2024.
O cenário já vinha se agravando: em 2025, o Brasil fechou o ano com 1.470 feminicídios — o maior número já contabilizado em um único ano.
Os dados são reunidos pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), a partir de informações repassadas pelos estados, além de órgãos federais como as polícias Federal e Rodoviária Federal.
Entre janeiro e março deste ano, janeiro liderou como o mês mais violento, com 142 casos. Fevereiro registrou uma queda para 123 ocorrências, mas março voltou a apresentar alta, com 134 vítimas.
Na divisão por estados, São Paulo aparece com o maior número absoluto de casos no período, somando 86 vítimas. Na sequência estão Minas Gerais (42), Paraná (33), Bahia (25) e Rio Grande do Sul (24).
Por outro lado, apenas dois estados brasileiros não registraram feminicídios no primeiro trimestre: Acre e Roraima.