
O debate sobre cotas raciais voltou ao centro das atenções em Santa Catarina após uma audiência pública realizada na noite desta segunda-feira (4), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Promovido pela Comissão de Educação e Cultura, o encontro colocou em confronto posições políticas, jurídicas e sociais sobre as políticas de ação afirmativa no estado.
A discussão, proposta pela deputada Luciane Carminatti (PT), ocorre em um momento de forte tensão institucional, após a aprovação da Lei Estadual nº 19.722/2026, que restringe as cotas raciais, e sua posterior derrubada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão unânime.
Ao defender a realização da audiência, a parlamentar destacou que o tema ainda é cercado por desinformação e interpretações equivocadas.
“Há um desconhecimento profundo sobre o papel das cotas e sua importância. Muitas teses defendidas hoje não dialogam com a realidade catarinense”, afirmou.
Mais do que um embate político, o encontro trouxe evidências concretas sobre a desigualdade racial no estado. Um estudo inédito apresentado pelo professor Marcelo Henrique Romano Tragtenberg, da Universidade Federal de Santa Catarina, revelou que as diferenças entre pessoas negras e brancas seguem enraizadas em diversas áreas.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística reforçam esse cenário, embora representem 23,3% da população catarinense, pessoas negras ainda enfrentam barreiras significativas em renda, inserção no mercado de trabalho e acesso à educação.
A audiência, realizada no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, evidenciou que, mesmo após decisões judiciais, o tema está longe de um consenso.



