
Pinhalzinho recebeu nesta sexta-feira (22) a visita de Fabi Venera, presidente da Federação de Clubes de Tiro e Comércio de Armas de Santa Catarina (FECCASC). Em passagem pelo Oeste do Estado, a dirigente participou de encontros e palestras com clubes de tiro e associados, com o objetivo de atualizar informações sobre o tiro esportivo e as recentes mudanças na legislação que regulamenta a atividade.
Entre os principais pontos abordados está a alteração no órgão responsável pelo registro das armas de atiradores esportivos, que passou do Exército Brasileiro para a Polícia Federal. Segundo Fabi, o momento ainda é de adaptação.
“Os processos ainda não iniciaram efetivamente, então não sabemos como ficará a questão dos prazos. Mas algumas orientações já foram repassadas pela Polícia Federal, que trouxe entendimentos diferentes em relação ao decreto de armas. Em alguns casos, inclusive, houve avanços para os atletas”, explicou.
A presidente destacou que o novo entendimento da Polícia Federal trouxe mais clareza em situações antes restritivas, como a possibilidade de atiradores regulados cederem armas para colegas em competições e treinamentos.
Desmistificando narrativas
Durante sua passagem pela região, Fabi também buscou quebrar estigmas sobre o armamento civil e esportivo, apontando o papel histórico do tiro no Brasil. Ela lembra que a primeira medalha de ouro do Brasil em Olimpíadas foi conquistada justamente no tiro esportivo, em 1920, além de ressaltar a tradição catarinense na modalidade, com o clube de tiro mais antigo da América Latina ainda em atividade, em Brusque.
“A imprensa muitas vezes divulga informações sem base em dados oficiais, como a ideia de que mais armas significam mais mortes. Nós mostramos que não é bem assim. Temos uma cultura do tiro esportivo no Brasil, especialmente em Santa Catarina, e precisamos valorizar isso”, afirmou.
Clube de tiro e legislação
Um dos pontos mais polêmicos do novo decreto de armas foi a exigência de distância mínima entre clubes de tiro e escolas. Fabi considera a medida inviável. Após diálogo com parlamentares, a regra foi substituída por restrição de horários de funcionamento, evitando o fechamento em massa de clubes.
“Cerca de 90% dos clubes teriam que fechar. O atirador não pode treinar em qualquer lugar, apenas em clubes regulamentados. Essa regra colocava em risco a continuidade do esporte”, criticou.
A força da federação
Atualmente, a FECCASC reúne mais de 150 associados em Santa Catarina e em outros estados, entre clubes, lojas e atiradores. Criada no Estado, a entidade foi a primeira do Brasil a organizar o setor de forma institucional.
Além de defender a prática do tiro esportivo, a federação busca aproximar a sociedade da realidade sobre o uso das armas, combatendo desinformação. Para Fabi, a comparação com o seguro de carro ajuda a explicar.
“A arma de fogo é como um seguro, você espera nunca precisar usar, mas se um dia for necessário defender sua família, ela pode ser o recurso disponível”.
Segundo a presidente, Santa Catarina é o estado com maior concentração de clubes de tiros no Brasil e interessados em conhecer mais sobre o esporte ou a federação podem procurar os clubes de tiro locais ou entrar em contato diretamente pelo Instagram da FECCASC (@feccasc).
Um esporte seguro e familiar
Fabi reforça que o tiro esportivo é extremamente seguro, com regras rígidas que priorizam a disciplina. Ela cita inclusive exemplos de atletas catarinenses que começaram cedo e hoje competem em alto nível internacional.
“Ninguém quer quebrar uma regra de segurança porque a penalidade é imediata: a desclassificação. É um esporte que pode ser praticado em família, e eu mesma pratico com meus filhos e meus pais. É seguro e acessível para todas as idades.”
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