
O Brasil atingiu o limite anual de exportação de carne bovina estabelecido pela China para 2026. Com o esgotamento da cota, o governo chinês informou que passará a aplicar uma sobretaxa de 55% sobre os embarques que ultrapassarem o volume autorizado. A medida entra em vigor a partir de 1º de outubro.
A cota brasileira foi estabelecida em 1,106 milhão de toneladas e faz parte de um mecanismo de salvaguarda adotado pela China para controlar o volume de carne bovina importada de diferentes países. Até o limite estabelecido, permanece a tarifa de importação de 12%. Para o volume excedente, será acrescentada a nova cobrança de 55%, levando a uma tarifa de 67% sobre esses embarques.
O limite foi alcançado na terça-feira (29), segundo as autoridades chinesas. A regra prevista no mecanismo de salvaguarda determina que a tarifa adicional seja aplicada após o preenchimento integral da cota. O Ministério do Comércio da China confirmou a mudança nesta quarta-feira (30).
A medida ocorre em um momento de forte dependência do mercado chinês para as exportações brasileiras de carne bovina. Em 2025, o Brasil enviou cerca de 1,7 milhão de toneladas do produto para a China, volume superior ao limite estabelecido para 2026. A nova cota representa, portanto, uma redução significativa em relação ao comércio registrado no ano anterior.
A sobretaxa não foi criada especificamente para o Brasil. Trata-se de uma política de salvaguarda aplicada pela China às importações de carne bovina que ultrapassarem as cotas estabelecidas para os países fornecedores. O governo brasileiro já havia informado, em julho, que a cobrança adicional seria aplicada somente quando o limite destinado ao país fosse atingido.
Diante da proximidade do esgotamento da cota, o Brasil buscou alternativas para ampliar o volume exportado sem a aplicação da tarifa adicional. Uma das possibilidades envolvia o uso de parte da cota não utilizada pelo Uruguai. O país vizinho chegou a autorizar o Brasil a utilizar seu excedente, mas, segundo informações divulgadas pelo Poder360 com base em representantes do setor, a China não concordou com a transferência para este ano nem para 2027.
O impacto da medida agora é acompanhado pelo setor frigorífico, que terá de avaliar os custos adicionais para manter as vendas ao mercado chinês. A cobrança também aumenta a importância da busca por outros destinos para a carne brasileira, especialmente diante da perspectiva de manutenção do sistema de cotas.
A atenção do setor também se volta para 2027. A China deverá definir até o fim deste ano se manterá o sistema de cotas para as importações de carne bovina e quais serão as condições para os principais países fornecedores.





