As tempestades que atingiram municípios do Grande Oeste catarinense foram provocadas por um sistema convectivo de mesoescala, estrutura meteorológica capaz de organizar e intensificar áreas de instabilidade, produzindo chuva intensa, granizo e outros fenômenos severos. A explicação foi apresentada pela meteorologista Camila Cardoso, durante entrevista à Rádio Centro Oeste.
Segundo ela, o sistema estava sobre o Rio Grande do Sul na manhã de quarta-feira (4), depois de provocar temporais nos dias anteriores. No entanto, avançou em direção a Santa Catarina mais rapidamente do que indicavam as projeções iniciais. A chegada antecipada encontrou uma atmosfera bastante aquecida, favorecendo a formação de tempestades intensas ainda durante a manhã.
Nesta quinta-feira (5), a previsão indica uma trégua nas condições meteorológicas no Oeste catarinense. As instabilidades avançaram em direção ao Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, permitindo a diminuição da nebulosidade e a presença do sol em Pinhalzinho e região. As temperaturas devem chegar aos 27°C, mas podem ultrapassar os 30°C na sexta-feira (6).
A melhora, entretanto, deve ser temporária. Camila alerta para a possibilidade de novos temporais a partir do final da noite de sexta-feira, com maior atenção para a madrugada e a manhã de sábado (7). A previsão considera a formação de novas áreas de baixa pressão, que terão suporte em diferentes camadas da atmosfera e poderão favorecer tempestades severas.
"Novamente temos alerta ali na noite da sexta e principalmente madrugada e manhã do sábado, quando novas áreas de baixa pressão vão trazer as nuvens carregadas de novo para nós", destacou a meteorologista.
O alerta abrange todo o território catarinense e também o norte do Rio Grande do Sul. A orientação é acompanhar as atualizações da previsão do tempo e os comunicados emitidos pela Defesa Civil.
Além das instabilidades previstas para os próximos dias, a meteorologista chama a atenção para o cenário climático dos próximos meses. A atuação do El Niño deve intensificar o transporte de umidade para o Oeste catarinense e o Noroeste gaúcho, favorecendo a formação de nuvens carregadas.
Segundo Camila, novembro marca o retorno de um canal de umidade para essas regiões. A combinação de calor e umidade é fundamental para o desenvolvimento de tempestades, e o fenômeno El Niño contribui para potencializar essas condições.
A preocupação, conforme a especialista, deve se estender pelo restante da primavera, durante o verão e também pelo outono de 2027. Mesmo que o El Niño comece a perder força a partir de fevereiro, seus efeitos sobre a atmosfera podem continuar por vários meses, devido ao tempo necessário para a resposta entre o oceano e a atmosfera.
"Infelizmente, a gente tem que ficar muito preocupado, sim, neste final de primavera e ao longo do verão. E eu estenderia esse alerta também para o outono de 2027", afirmou Camila.
Questionada sobre a possibilidade de novos tornados e temporais com intensidade semelhante aos registrados recentemente, a meteorologista explicou que existe preocupação com a ocorrência de novos eventos severos, mas que não é possível prever com precisão quando e onde uma tempestade específica vai atingir.
Os modelos meteorológicos permitem identificar o potencial de formação de tempestades com alguns dias de antecedência. Entretanto, determinar se o fenômeno atingirá municípios específicos, como Pinhalzinho, Chapecó ou Guatambu, geralmente só é possível pouco antes da ocorrência.
A Defesa Civil, a Epagri/Ciram e os meteorologistas de Santa Catarina acompanham o cenário e trabalham considerando a possibilidade de novos episódios de instabilidade severa nos próximos meses.
A recomendação é que a população mantenha atenção aos alertas oficiais, especialmente diante da previsão de novas tempestades e da possibilidade de fenômenos associados, como granizo, ventos intensos e tornados.
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