
A grande procura pelas canetas emagrecedoras transformou esse tipo de medicamento em um dos principais itens da pauta de importações do Brasil. Em 2025, as compras de produtos como Ozempic e Mounjaro somaram US$1,669 bilhão, cerca de R$9 bilhões, volume que já supera a importação de bens tradicionalmente associados ao consumo, como telefones celulares.
Segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), a demanda por esses medicamentos cresceu 88% em apenas um ano. Como não há fabricação nacional, todo o aumento do consumo se reflete diretamente na balança comercial, elevando de forma significativa o valor importado.
O montante é tão expressivo que também ultrapassa a importação de itens como salmão e azeite de oliva, consolidando as canetas emagrecedoras entre os produtos mais relevantes da pauta externa brasileira. A Dinamarca, sede da Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, permanece como principal origem das compras, respondendo por 44% do total, o equivalente a US$734,7 milhões em 2025.
Apesar da liderança dinamarquesa, o crescimento mais acelerado vem dos Estados Unidos. O país, onde está a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, já responde por 35,6% das importações ou US$593,7 milhões. Enquanto as compras vindas da Dinamarca avançaram 7% no ano passado, as importações de origem norte-americana dispararam 992%.
Os números indicam que a recente explosão do mercado está mais associada à rápida adoção do Mounjaro do que ao pioneiro Ozempic. A disputa entre os dois gigantes farmacêuticos ocorre em ritmos distintos, mas com impacto direto sobre o comércio exterior brasileiro.
As projeções apontam que esse movimento está longe de arrefecer. Um relatório do Itaú BBA estima que o setor pode crescer do atual patamar de cerca de US$1,8 bilhão por ano para US$9 bilhões, aproximadamente R$50 bilhões, até 2030.
No curto prazo, a tendência é de novo aquecimento. A quebra da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, deve permitir a entrada de medicamentos genéricos, com redução de preços e ampliação do acesso, reforçando ainda mais a presença das canetas emagrecedoras entre os principais produtos importados pelo Brasil.





