
O prefeito de Chapecó, João Rodrigues, decidiu dobrar a aposta política. Mesmo após dias de forte tensão interna, ele reafirmou publicamente sua pré-candidatura ao Governo de Santa Catarina pelo PSD, transformando o episódio em um divisor de águas dentro do partido.
A confirmação veio durante uma coletiva de imprensa que reuniu o presidente estadual do PSD, Eron Giordani, a primeira-dama Fabiana Matte Rodrigues e outras lideranças partidárias. O encontro não serviu apenas para reafirmar o projeto eleitoral de Rodrigues. Também marcou o anúncio de uma medida drástica: a abertura do processo de expulsão do prefeito de Florianópolis, Topázio Silveira Neto, acusado de infidelidade partidária.
A crise foi detonada após Topázio declarar apoio ao projeto de reeleição do governador Jorginho Mello (PL). A manifestação pública caiu como uma bomba dentro do PSD e provocou reação imediata de João Rodrigues. Nos bastidores, o recado foi direto e sem margem para ambiguidade: ou o partido fecha fileiras em torno de sua candidatura ou conviverá com um racha explícito.
Nem mesmo o peso histórico do ex-governador Jorge Bornhausen, decano do partido, foi suficiente para conter a escalada da crise. Bornhausen chegou a afirmar, antecipadamente, que João Rodrigues não seria candidato. O prefeito de Chapecó respondeu com diplomacia calculada: elogiou a trajetória e os conselhos do ex-governador, mas deixou claro que a declaração ocorreu “por conta e risco” do próprio Bornhausen.
Alianças
Diante da turbulência, o presidente estadual do PSD, Eron Giordani, buscou respaldo da direção nacional. O aval veio de Gilberto Kassab, presidente nacional da sigla, que apoiou a decisão da executiva catarinense. Uma reunião marcada para segunda-feira (16), às 18h, deve formalizar o início do processo de expulsão de Topázio.
Ao mesmo tempo em que pediu unidade interna, Giordani também deixou um recado duro aos descontentes com o rumo político do partido. A frase, curta e direta, resumiu o clima de confronto: “A porta é a serventia da casa.”
João Rodrigues também iniciou movimentos para ampliar seu campo político. Ele fez um apelo direto ao que chamou de “velho MDB” e ao União Progressistas, convidando as siglas a integrarem seu “projeto de Estado” para Santa Catarina.
Dentro do PSD, Rodrigues recebeu carta branca para negociar alianças, abrindo espaço para conversas com lideranças regionais e partidos que possam fortalecer sua eventual candidatura ao Palácio Barriga Verde.
Movimento Nacional do PSD
A movimentação em Santa Catarina ocorre paralelamente a um processo de definição nacional dentro do PSD. O partido deve anunciar no dia 25 de março o governador do Paraná, Ratinho Júnior, como pré-candidato à Presidência da República. A escolha encerra uma disputa interna entre três governadores da legenda: Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), Ronaldo Caiado (Goiás) e o próprio Ratinho. Nos bastidores, o paranaense acabou consolidando maior apoio dentro da sigla, reforçando o protagonismo do PSD no tabuleiro político nacional.











