
A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) manifestou preocupação com a nova sobretaxa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, medida que integra o chamado "Segundo Tarifaço". Segundo a entidade, 54,5% da pauta de exportações catarinenses será impactada pelas novas alíquotas.
De acordo com estudo da FIESC, a medida confirma a recomendação inicial do órgão de comércio norte-americano (USTR) de ampliar as tarifas sobre produtos brasileiros. Para o presidente da Federação, Gilberto Seleme, o cenário exige maior esforço diplomático e técnico nas negociações entre os dois países.
“O tamanho do mercado americano dá aos Estados Unidos uma elevada capacidade de negociação com qualquer parceiro do mundo. Por isso, a FIESC esperava do governo federal mais empenho diplomático e técnico e menos discurso de soberania”, afirmou.
Na avaliação da entidade, diante da dimensão da negociação, o governo federal deve priorizar o diálogo para evitar medidas que possam ampliar os impactos sobre as relações comerciais.
A FIESC também informou que, antes da decisão, realizou ações de diplomacia empresarial em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), buscando reverter a proposta de aumento das tarifas junto às autoridades norte-americanas.
Segundo a Federação, o novo tarifaço deve repetir os efeitos negativos registrados após a primeira elevação das tarifas, quando as exportações catarinenses para os Estados Unidos recuaram 38,2%, com reflexos na geração de empregos no estado.
O levantamento aponta ainda que 40,3% das exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos já são tributadas sob a Seção 232 da legislação norte-americana. Com a nova medida, apenas 5,2% das vendas catarinenses ao mercado norte-americano permanecerão livres de sobretaxas.
Os setores mais afetados, conforme a FIESC, estão concentrados nas regiões Serrana, Oeste e Planalto Norte, consideradas estratégicas para a economia catarinense.
Como forma de minimizar os impactos, a entidade informou que está preparando a segunda etapa do Programa Destarifaço, voltado ao apoio das indústrias na busca por novos mercados e na manutenção da competitividade das empresas catarinenses.



