
Santa Catarina consolidou-se como o estado brasileiro que mais gerou empregos formais para trabalhadores estrangeiros em 2026. Entre janeiro e maio, foram abertas 10,2 mil vagas com carteira assinada para pessoas de outras nacionalidades, o maior saldo da série histórica para os cinco primeiros meses do ano.
O número representa um crescimento de 14% na comparação com o mesmo período de 2025. O avanço ocorreu mesmo diante da desaceleração do mercado catarinense, que registrou uma redução de 17% no saldo geral de empregos.
Os dados mostram a importância dos imigrantes para preencher vagas e manter a produção em diferentes setores da economia. Segundo dados do Novo Caged, os venezuelanos responderam por 43% do saldo de vagas, seguidos pelos haitianos, com 23%, e pelos cubanos, com 19%.
(Foto: Oeste Capital)A indústria catarinense emprega aproximadamente 53,7 mil imigrantes, o equivalente a 5,5% dos trabalhadores do setor. Alimentos e bebidas lideram as contratações, com 24,2 mil empregados, seguidos pela construção, com 4,5 mil, e pelos setores têxtil, de confecção, couro e calçados, com 3,5 mil. O levantamento é do Observatório da Fiesc.
O Oeste catarinense liderou a geração de empregos formais para imigrantes entre janeiro e maio de 2026, com saldo de 3,4 mil vagas. A maior parte das contratações ocorreu nas indústrias de carnes suína e de aves, setores que enfrentam dificuldades para encontrar mão de obra e têm recorrido aos trabalhadores de outras nacionalidades para manter o ritmo da produção.
Para auxiliar na integração, a Federação das Indústrias de Santa Catarina criou o programa Porta Aberta, desenvolvido com a participação da Organização Internacional para as Migrações. A iniciativa reúne poder público e empresas em ações de acolhimento, qualificação profissional, saúde e orientação sobre relações de trabalho.
O movimento também está relacionado ao mercado aquecido. No primeiro trimestre de 2026, Santa Catarina apresentou a menor taxa de desemprego do Brasil, de 2,7%, enquanto a média nacional ficou em 6,1%. O estado ultrapassou ainda a marca de 4,5 milhões de pessoas ocupadas. Os dados são da PNAD Contínua.
Além da diversidade econômica e das oportunidades profissionais, a qualidade de vida contribui para atrair trabalhadores. O desafio agora é ampliar políticas de integração, qualificação e habitação, garantindo condições adequadas para que os imigrantes permaneçam no estado e participem do desenvolvimento econômico e social catarinense.




