
A indústria catarinense enfrenta um novo cenário de incerteza com a entrada em vigor do segundo pacote de tarifas dos Estados Unidos, prevista para esta quarta-feira (15). Segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), as medidas poderão provocar uma nova queda nas exportações e comprometer a geração de empregos no estado.
A entidade avalia que os efeitos desta segunda rodada serão semelhantes aos observados durante o primeiro tarifaço, aplicado entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. Naquele período, Santa Catarina deixou de gerar aproximadamente 7,6 mil empregos formais em consequência dos impactos sobre o setor produtivo.
Para o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, as novas tarifas mantêm as empresas exportadoras em alerta.
"O impacto projetado para esta nova fase tarifária é similar aos danos que já experimentamos no primeiro tarifaço. A análise mostra que a economia catarinense já deixou de gerar cerca de 7,6 mil empregos formais apenas no primeiro ciclo de tarifas. A expectativa é de que esta segunda leva tenha efeitos muito parecidos, com prejuízo à economia do estado", afirma o presidente da entidade, Gilberto Seleme.
Durante o primeiro ciclo de tarifas, as exportações catarinenses para os Estados Unidos diminuíram 38,29%. A média mensal das vendas passou de US$141 milhões para US$87 milhões.
Uma recuperação começou após a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidar as tarifas, em fevereiro, e o governo norte-americano adotar temporariamente uma alíquota global de 10%. No entanto, a implantação de novas sobretaxas adicionais de 25% ameaça interromper a retomada. A projeção é de que a retração das exportações catarinenses ao mercado norte-americano fique próxima de 40%.
A tarifa nominal máxima será reduzida de 50%, aplicada no primeiro tarifaço, para 37,5% no novo regime. A tarifa efetiva sobre os produtos de Santa Catarina deverá cair de 47,8% para 35,9%. Apesar da redução, a Fiesc alerta que países concorrentes do Brasil terão acesso a alíquotas menores, mantendo a produção catarinense em desvantagem.
O levantamento aponta que 518 produtos exportados pelo estado perderão competitividade na comparação entre o primeiro e o segundo tarifaço. Outros 608 produtos poderão apresentar melhora, mas ainda enfrentarão condições desfavoráveis em relação aos concorrentes internacionais.
O setor de madeira exemplifica esse cenário. A madeira perfilada deverá ganhar competitividade em relação ao primeiro pacote de tarifas, enquanto portas e molduras de madeira poderão perder ainda mais espaço no mercado dos Estados Unidos.
O impacto sobre Santa Catarina também deverá ser maior que a média brasileira devido à presença expressiva de produtos industrializados na pauta de exportações. Enquanto a parcela das vendas nacionais atingidas pelas tarifas deverá recuar de aproximadamente 33% para 25%, no estado o percentual permanecerá em torno de 56%, conforme o estudo da Fiesc.






