
O setor automotivo brasileiro teve um salto expressivo em março e superou as projeções da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, alcançando o melhor desempenho mensal desde outubro de 2019. Ao todo, foram produzidas 264,1 mil unidades, entre automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões, resultado que também marca o melhor mês de março desde 2018.
O crescimento foi robusto em todas as comparações, apresentando alta de 35,6% frente a março de 2025 e de 27,6% sobre fevereiro. No acumulado do ano, a produção já soma 634,7 mil veículos, avanço de 6%. Para o presidente da entidade, Igor Calvet, o resultado resgata níveis pré-pandemia e reforça a retomada do setor, embora ainda com sinais de atenção.
Do lado das vendas, o desempenho foi ainda mais contundente. Março registrou 269,5 mil veículos emplacados, o melhor resultado para o mês desde 2013 e o maior volume mensal desde dezembro de 2014. O avanço foi de 37,8% na comparação anual e de 45,5% sobre fevereiro, impulsionado também por um maior número de dias úteis.
No primeiro trimestre, os emplacamentos somaram 625,2 mil unidades, crescimento de 13,3%. Apesar do ritmo acelerado, a avaliação da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores é de cautela.
“Março surpreende, mas são os próximos meses que vão definir o ano”, ponderou Calvet, citando incertezas globais e tensões no Oriente Médio como fatores de risco, especialmente para os preços do petróleo.
Entre os segmentos, os caminhões deram sinais de reação, com 8,8 mil unidades vendidas, alta de 31,9% sobre fevereiro. Ainda assim, o volume segue abaixo do registrado há um ano, refletindo um mercado que começa a respirar, impulsionado por programas de incentivo como o Move Brasil, mas ainda distante de uma recuperação sólida.
No cenário externo, as exportações cresceram 21,1% no mês, chegando a 40,4 mil unidades, enquanto as importações avançaram 40%, totalizando 47,3 mil veículos. Mesmo com as incertezas, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores mantém a projeção de alta de 3,7% na produção e de 2,7% nos licenciamentos em 2026, indicando um ano de crescimento moderado, porém sustentado.











