
O Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do petróleo que circula no planeta, se transformou no epicentro de uma crise internacional após o Irã endurecer sua posição e manter o bloqueio da rota marítima mais estratégica do mundo. Nesta quinta-feira (02), autoridades iranianas confirmaram negociações com Omã para um protocolo de reabertura, mas condicionaram qualquer avanço ao fim da guerra contra Estados Unidos e Israel.
A proposta, articulada em conjunto com o Sultanato de Omã, prevê a retomada do tráfego marítimo apenas em um cenário pós-conflito. Ainda assim, Teerã já sinalizou que a liberação não será ampla, navios ligados aos EUA e a Israel continuarão proibidos de cruzar o estreito, mesmo em um cenário de normalização.
A resposta internacional ganhou força imediata. Um grupo de cerca de 40 países, liderado pelo Reino Unido, exige a reabertura “imediata e incondicional” do estreito, acusando o Irã de manter a economia mundial sob ameaça. Nos bastidores, sanções e medidas econômicas mais duras já são discutidas.
Em paralelo, o Conselho de Cooperação do Golfo elevou o tom ao solicitar ao Conselho de Segurança da ONU autorização para o uso da força com o objetivo de liberar a rota marítima. A movimentação expõe o risco de uma escalada militar ainda maior em uma das regiões mais sensíveis do planeta.
Enquanto aliados como a Rússia seguem com acesso garantido à passagem, o impasse em Ormuz aprofunda divisões e amplia a incerteza global, colocando em risco não apenas o fluxo de energia, mas a estabilidade de cadeias produtivas inteiras ao redor do mundo.



