
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina realizou, nesta segunda-feira (30), o debate “Entre telas e a realidade: infância, saúde mental e uso consciente da tecnologia”. O encontro reuniu especialistas, autoridades e representantes da sociedade civil para discutir os impactos do uso excessivo de dispositivos digitais no desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Promovido pela Comissão de Economia, Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com o movimento Mulheres que Fazem Floripa, o evento apontou prejuízos no desenvolvimento cognitivo, na capacidade de concentração e na construção de vínculos sociais. Segundo os participantes, o consumo frequente de conteúdos de estímulo imediato, como vídeos curtos e jogos rápidos, pode reduzir a tolerância à frustração e dificultar o engajamento em atividades que exigem mais atenção, como leitura e estudo.
Autora da Lei nº 17.785/2019, que institui a Semana de Conscientização sobre a Dependência Tecnológica no estado, a secretária-geral da Alesc, Marlene Fengler, destacou que o tema ganhou espaço nos últimos anos, mas ainda exige atenção constante.
“Quando apresentei o projeto, em 2019, o tema ainda era pouco discutido. Hoje vemos avanços importantes, como novas legislações e maior conscientização, mas a responsabilidade continua sendo de todos nós, especialmente do poder público, em proteger nossas crianças dos perigos da internet.” Afirmou.
A presidente do movimento Mulheres que Fazem Floripa, Andréa Vergani, reforçou que o enfrentamento do problema deve ser coletivo.
“Esse é um tema que atravessa famílias, escolas e toda a sociedade.Informação e orientação são fundamentais para que possamos proteger as novas gerações e promover um uso mais equilibrado da tecnologia”, disse.
Dados apresentados durante o debate indicam que 78% das crianças de zero a três anos já utilizam dispositivos digitais diariamente, índice que chega a 94% entre quatro e seis anos. Apesar de ampliar o acesso à informação, o ambiente online também expõe menores a riscos como conteúdos inadequados, cyberbullying e aliciamento.
Especialista em crimes cibernéticos, o policial civil Elias Edenis alertou para a necessidade de vigilância ativa.
“Hoje, os riscos não estão apenas na rua, estão dentro de casa, acessível por um clique. Crianças e adolescentes acessam conteúdos e interagem em ambientes que muitas vezes os pais desconhecem. É fundamental acompanhar, entender as plataformas e utilizar ferramentas de controle parental”, explicou.
Do ponto de vista emocional, a psicanalista Denise Porto chamou atenção para o uso excessivo de dispositivos como forma de entretenimento constante.
“Hoje, os riscos não estão apenas na rua, estão dentro de casa, acessível por um clique. Crianças e adolescentes acessam conteúdos e interagem em ambientes que muitas vezes os pais desconhecem. É fundamental acompanhar, entender as plataformas e utilizar ferramentas de controle parental”, afirmou.
Já a psicopedagoga Márcia Fiates destacou impactos no aprendizado. Segundo ela, o excesso de estímulos rápidos compromete a concentração e o raciocínio, tornando atividades que exigem mais foco menos atrativas para as crianças.
No campo legal, o debate também abordou a entrada em vigor do ECA Digital, em março de 2026, que estabelece regras para a proteção de menores no ambiente online. A legislação prevê verificação de idade, restrições à publicidade predatória e a obrigatoriedade de ferramentas de controle parental em plataformas digitais.
Além disso, parlamentares catarinenses destacaram avanços legislativos no estado, como a Lei nº 18.182/2021, que institui a Política de Educação Digital nas escolas, e a Lei nº 19.472/2025, que atualiza diretrizes sobre o uso consciente da tecnologia.
O debate reforçou a necessidade de ações conjuntas entre poder público, escolas e famílias para garantir um ambiente digital mais seguro e equilibrado para crianças e adolescentes.










