
O setor de transporte rodoviário de cargas voltou a entrar no radar de preocupação em Brasília. A demora na votação da Medida Provisória 1.343/2026, conhecida como MP do Frete, aumentou a tensão entre caminhoneiros, governo federal e Congresso Nacional. O texto, que busca reforçar a fiscalização sobre o cumprimento do piso mínimo do frete, está parado no Senado e pode perder a validade no dia 16 de julho.
A medida já passou pela Câmara dos Deputados, mas ainda precisa ser analisada pelos senadores. A indefinição reacendeu a insatisfação de lideranças da categoria, que voltaram a ameaçar uma paralisação nacional caso a proposta não seja votada dentro do prazo. O movimento ocorre em meio à cobrança por mais segurança jurídica e remuneração mínima nas operações de transporte.
A MP foi editada pelo governo federal em março, após pressão dos caminhoneiros. O principal objetivo é impedir que fretes sejam contratados abaixo do valor mínimo definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT. Para isso, a proposta prevê o uso de mecanismos eletrônicos de controle, como o registro da operação de transporte e a geração do Código Identificador da Operação de Transporte, o CIOT.
Na prática, a intenção é permitir que uma viagem seja bloqueada ainda na origem caso o valor contratado esteja abaixo do piso mínimo. Para os caminhoneiros, a medida é considerada essencial para combater práticas abusivas e garantir condições mínimas de trabalho. Representantes da categoria defendem que, sem fiscalização efetiva, a tabela do frete perde força e deixa os profissionais mais vulneráveis.
Durante a tramitação no Congresso, o texto recebeu alterações e passou a tratar também de outros temas ligados à categoria. Entre eles estão a criação de um piso salarial nacional para motoristas de longa distância e a anistia a caminhoneiros multados por bloqueios em rodovias após as eleições de 2022. Esses pontos ampliaram o debate político em torno da medida e aumentaram as divergências sobre a votação.
Além disso, setores ligados ao agronegócio, à indústria e aos embarcadores demonstram resistência à proposta. A avaliação desses grupos é de que o endurecimento das regras pode elevar custos logísticos e trazer insegurança para as contratações no transporte de cargas. Já os caminhoneiros argumentam que a falta de cumprimento do piso mínimo compromete a sustentabilidade da atividade.
O impasse coloca pressão sobre o Senado nos próximos dias. Caso a MP não seja votada até 16 de julho, ela perde validade e as mudanças deixam de valer. Com isso, a possibilidade de uma nova mobilização dos caminhoneiros volta a ganhar força e acende alerta sobre eventuais reflexos no transporte de mercadorias pelo país.











