
A tensão política aberta em Santa Catarina pelo senador Ciro Nogueira (PP) ganhou contornos nacionais e já produz efeitos diretos no Rio Grande do Sul. A reação do dirigente progressista à sinalização de Jair Bolsonaro (PL) por uma “chapa pura” ao Senado catarinense, com Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, deixou clara a insatisfação do PP com a exclusão do senador Esperidião Amin da composição.
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Ao afirmar que o PP “acredita em palavra”, Nogueira enviou um recado direto ao PL sobre a confiabilidade das alianças para 2026. A declaração foi interpretada como um alerta de que o partido não aceitará acordos frágeis ou decisões unilaterais nas articulações eleitorais.
No Rio Grande do Sul, o impacto foi imediato. O PP gaúcho, que recentemente rompeu com o governo de Eduardo Leite para se aproximar do PL liderado por Luciano Zucco, agora enfrenta forte turbulência interna. Um grupo de lideranças protocolou pedido à direção nacional para a realização de uma pré-convenção em março, com o objetivo de oficializar candidatura própria ao governo do Estado.
O nome colocado à mesa é o do deputado Ernani Polo, defendido por ala que vê riscos na dependência de um acordo com o PL. A avaliação interna é de que o partido pode ser enfraquecido caso repita o que ocorreu em Santa Catarina, onde Amin ficou fora da composição mesmo após articulações prévias.
O desenho que parecia encaminhar uma aliança entre Zucco e Covatti Filho agora depende diretamente das decisões em Brasília. Caso Ciro Nogueira conclua que o PL não oferece garantias de parceria sólida em Santa Catarina, poderá usar o episódio como argumento para dar respaldo aos dissidentes gaúchos e reverter o alinhamento no Estado.
Para o PP do Rio Grande do Sul, o temor é ser escanteado na reta final do processo eleitoral. Já para o PL, o desafio é manter competitividade sem a estrutura municipal e a capilaridade progressista no interior, fator considerado estratégico em disputas majoritárias no Estado.



