
Uma descoberta conduzida pela bióloga Tatiana Sampaio pode representar um avanço significativo no tratamento de lesões da medula espinhal. Após quase três décadas de pesquisa, a cientista desenvolveu a polilaminina, uma molécula criada em laboratório a partir da proteína laminina, capaz de estimular a regeneração de conexões nervosas. O estudo foi destaque na Forbes Brasil e aponta resultados promissores na recuperação de movimentos em pacientes com paralisia.
A pesquisa foi desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde Tatiana construiu toda a sua trajetória acadêmica. A polilaminina é produzida a partir de extratos da placenta humana e atua favorecendo a reconexão de neurônios lesionados — um dos principais desafios no tratamento de danos à medula espinhal.
Nos estudos iniciais, oito pacientes com paraplegia ou tetraplegia receberam a aplicação da substância. Segundo a reportagem, seis apresentaram recuperação parcial ou total dos movimentos. Em um dos casos, um paciente que estava paralisado do ombro para baixo voltou a caminhar sem auxílio. Os resultados abriram caminho para uma nova etapa da pesquisa.
Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes clínicos em humanos, com foco inicial na avaliação da segurança do tratamento. A expectativa é que, comprovada a eficácia e segurança, a terapia possa se tornar uma alternativa concreta para pessoas com lesões medulares consideradas irreversíveis.
Além do impacto científico, a descoberta também trouxe retorno financeiro à universidade. Em dezembro de 2023, a tecnologia rendeu cerca de R$ 3 milhões em royalties, divididos entre os pesquisadores, a UFRJ e o Instituto de Ciências Biomédicas. Apesar disso, cortes orçamentários impediram a manutenção da patente internacional, restringindo a proteção da tecnologia ao território nacional.











