
Um levantamento realizado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apontou a presença de resíduos de agrotóxicos na água potável de 155 municípios do Estado. Embora as concentrações identificadas estejam dentro dos limites permitidos pela legislação, o estudo acende um sinal de alerta, especialmente porque algumas das substâncias detectadas têm uso proibido no Brasil.
As informações foram encaminhadas ao Ministério da Saúde e resultam de amostras coletadas entre 2018 e 2023 em todos os municípios catarinenses. Ao todo, foram identificados 42 tipos diferentes de compostos químicos nas análises realizadas.
De acordo com a coordenadora do Centro de Apoio Operacional do MPSC, Aline Restel Trennepohl, a presença de produtos já banidos no país é um dos pontos mais preocupantes do relatório. Segundo ela, o fato de essas substâncias ainda aparecerem nas análises pode indicar que continuam entrando de forma irregular no território nacional.
O levantamento também detalha a distribuição dos registros por região. No Sul de Santa Catarina, mais de 75% dos 46 municípios analisados apresentaram algum resíduo de agrotóxico, o maior índice do Estado. Em seguida aparecem a Grande Florianópolis, com 57% dos municípios com registros, e o Oeste, com 53%. Já no Vale do Itajaí, Norte e Serra, menos da metade das cidades analisadas apresentou detecção de substâncias.
Outro dado que chama a atenção é a diversidade de compostos encontrados em determinadas cidades. Em alguns municípios, foram identificados mais de dez tipos diferentes de agrotóxicos simultaneamente — em um deles, o número chegou a 23 substâncias, e em outro, 17. Para a coordenadora do MPSC, esses números indicam possível uso inadequado e falhas no manejo dos produtos nas regiões afetadas.










