
O Hospital de Pinhalzinho vive um dos períodos mais importantes de sua história recente. Depois da inauguração da nova ala em 2025, da ampliação do estacionamento neste ano e da previsão de reforma da estrutura antiga, construída ainda na década de 1970, a instituição começa a projetar um novo passo considerado estratégico para toda a região: a futura implantação de leitos de UTI.
A possibilidade foi confirmada durante o programa Radar da RCO, nesta quarta-feira (08), pelo presidente da Associação Hospitalar Beneficente de Pinhalzinho, Lauri Guillante, e pelo diretor do hospital, Cleomar Provenci. Ambos destacaram que o projeto é viável, mas que exige responsabilidade, planejamento e apoio efetivo do poder público, especialmente do Governo do Estado.
A criação de uma UTI em Pinhalzinho representaria um avanço histórico para a saúde regional. Hoje, o hospital atende uma área estimada em cerca de 80 mil habitantes, envolvendo pacientes de Pinhalzinho e de municípios próximos. Com uma unidade de terapia intensiva, casos mais graves poderiam ter atendimento mais próximo, reduzindo a necessidade de deslocamentos para centros maiores e ampliando a segurança assistencial da população.
Segundo Lauri Guillante, o tema ganhou força após manifestações de apoio de lideranças políticas e do secretário de Estado da Saúde, durante agendas recentes no município. Ele afirmou que o hospital já havia se antecipado e preparado um anteprojeto, justamente para demonstrar a necessidade e a capacidade de avançar na discussão.
“Nós atendemos hoje uma área de cerca de 80 mil habitantes. Então, a UTI já se torna uma necessidade muito grande. Temos a sinalização do governo de que vai nos auxiliar, mas isso não é uma coisa de curto prazo. É uma construção de médio a longo prazo, que precisa começar agora”, destacou Guillante.
O projeto, no entanto, não depende apenas da obra física. Para funcionar, uma UTI exige estrutura altamente especializada, com médicos 24 horas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, equipamentos de alta complexidade, medicamentos específicos, laboratório, farmácia, gases medicinais, pronto-socorro adequado e uma série de exigências técnicas e sanitárias.
Cleomar Provenci reforçou que o principal desafio está no custeio. Conforme ele, a manutenção de uma UTI demanda valores elevados e permanentes. A estimativa apresentada é de que o custo diário de um leito possa variar entre R$1.800 e R$2.000. Como o projeto mínimo exigiria dez leitos, o custo fixo mensal poderia ficar entre R$500 mil e R$800 mil, dependendo da estrutura e da ocupação.
“Sem o apoio do Estado, é inviável manter uma UTI. Não basta construir. É preciso garantir o custeio, profissionais, equipamentos e toda a estrutura necessária. A boa notícia é que já temos aval para iniciar o projeto e vamos trabalhar para aprovar tudo da forma mais breve possível”, afirmou Cleomar.
A próxima etapa será transformar o anteprojeto já existente em projeto arquitetônico. Depois disso, o material deverá ser encaminhado para análise da Vigilância Sanitária Estadual. Somente após essa aprovação inicial poderão ser desenvolvidos os projetos complementares, como estrutura, gases medicinais, circulação, bombeiros e demais exigências técnicas.
Paralelamente, o hospital também prepara a reforma da parte antiga da unidade, com investimento superior a R$2 milhões. A melhoria faz parte de um processo contínuo de modernização, que busca adequar a instituição ao crescimento da demanda e às novas necessidades da saúde regional.
Mesmo sem prazo definido para sair do papel, a futura UTI já passa a integrar o planejamento estratégico do Hospital de Pinhalzinho. A direção reforça que o momento é de organização, elaboração de projetos e busca por recursos. Para a população regional, a iniciativa representa a possibilidade de um salto histórico na assistência hospitalar, com mais estrutura, resolutividade e segurança no atendimento de casos de maior complexidade.



