
A violência contra pessoas idosas voltou a acender um alerta em Santa Catarina. O Estado registrou 21.342 violações contra idosos entre janeiro e junho de 2026, conforme dados do Painel do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O número representa crescimento de 12,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 19.020 casos.
O dado preocupa não apenas pelo aumento, mas também pelo que ele revela sobre a vulnerabilidade de uma parcela da população que muitas vezes depende de familiares, cuidadores ou instituições para atividades básicas do dia a dia. Em nível nacional, o Brasil registrou 642.938 violações contra pessoas idosas apenas nos seis primeiros meses de 2026. Em todo o ano de 2025, haviam sido contabilizados 1.070.215 casos.
Entre os principais tipos de violência estão a negligência, o abandono, a violência psicológica, a violência física, a violência sexual, a exploração financeira ou patrimonial e a autonegligência. O Manual de Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa, do Ministério dos Direitos Humanos, aponta que essas formas de ação ou omissão podem causar danos físicos, emocionais e até colocar a vida da vítima em risco.
A negligência ocorre quando há omissão de cuidados necessários, como alimentação, higiene, medicação, acompanhamento médico, segurança e proteção. O abandono acontece quando a pessoa idosa é deixada sem assistência por familiares, responsáveis ou instituições. Já a violência psicológica pode envolver humilhações, ameaças, isolamento, constrangimentos e atitudes que atingem a dignidade e a autonomia da vítima.
Outro ponto de alerta é a violência financeira, que pode aparecer quando alguém se apropria do benefício, aposentadoria, cartão bancário, bens ou patrimônio da pessoa idosa, muitas vezes sem consentimento ou por meio de pressão. Também entram nesse contexto situações em que a pessoa idosa é impedida de decidir sobre o próprio dinheiro ou é forçada a assinar documentos.
A violência física é uma das formas mais visíveis, mas nem sempre deixa sinais aparentes. Segundo o manual oficial de enfrentamento, muitas ocorrências acontecem dentro da própria casa ou no ambiente familiar, o que dificulta a denúncia e aumenta o risco de repetição da violência.
Apesar do volume elevado de casos em Santa Catarina, a formalização das denúncias ainda é considerada baixa. Dos 21.342 registros contabilizados no Estado, apenas 2.189 resultaram em protocolos oficiais de denúncia. Para especialistas, essa diferença indica que muitas situações podem continuar sem apuração adequada e sem o encaminhamento necessário aos órgãos de proteção.
A legislação brasileira estabelece que nenhuma pessoa idosa pode ser alvo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e que qualquer atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, deve ser punido na forma da lei. O Estatuto da Pessoa Idosa também determina que é dever de todos prevenir ameaça ou violação aos direitos dessa população.
As denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, canal oficial do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O serviço é gratuito, funciona 24 horas por dia, inclusive sábados, domingos e feriados, e recebe denúncias de violações contra pessoas idosas e outros grupos em situação de vulnerabilidade. Qualquer pessoa pode denunciar uma situação da qual seja vítima ou tenha conhecimento.
Depois do registro, a denúncia é analisada e encaminhada aos órgãos competentes para proteção, defesa e responsabilização.
O crescimento dos registros reforça a necessidade de atenção de familiares, vizinhos, profissionais da saúde, assistência social, segurança pública e comunidade em geral. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, medo, falta de cuidados básicos, controle indevido do dinheiro, ausência de atendimento médico e sinais de abandono devem ser tratados como alerta. Em muitos casos, a denúncia de terceiros pode ser o primeiro passo para interromper o ciclo de violência e garantir proteção à pessoa idosa.










