
O anúncio de uma boa oportunidade de emprego fez *César entrar com a esposa grávida de gêmeos em um ônibus por cerca de 13 horas entre dois municípios de Santa Catarina. Um mês depois, o casal e os recém-nascidos foram resgatados em uma operação de combate ao trabalho análogo à escravidão, que contou com a atuação da Defensoria Pública da União (DPU).
A história do migrante venezuelano no Brasil começou lá em agosto de 2022. Foi quando ele entrou no país por Boa Vista (RR) e morou em um abrigo para refugiados do governo brasileiro na fronteira. Em dezembro do ano passado, ele foi morar em Santa Catarina.
A proposta que fez César entrar naquele ônibus iria melhorar a vida da família. O salário prometido era de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil. O que o defensor público federal Célio Alexandre John e representantes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) encontraram estava longe do que o trabalhador buscava.
“Não estou bem. Não foi cumprido o que foi prometido”, disse ao ser resgatado. Em quase um mês de trabalho, ele recebeu apenas R$ 150. “Seria R$ 300, mas foi descontado R$ 150 do vale do mercado”, contou.
Ele destacou que eram seis banheiros compartilhados para todos os trabalhadores, com sanitário e chuveiro. Água, no entanto, não tinha sempre. Eles armazenavam em um tambor para utilizar quando faltava. Além da situação dos banheiros, César e a esposa usavam colchões finos e na alimentação não colocavam muita carne ou frango. “Custa caro e não tinha onde armazenar”, contou. O fogão era revezado com outras famílias.
Foi nesse ambiente que o trabalhador viu os filhos gêmeos nascerem em 3 de fevereiro deste ano. O colega de trabalho, brasileiro que mora no município, foi quem levou a mulher grávida para o hospital no dia do parto. O mesmo amigo que buscou a família no hospital dois após o nascimento das crianças.
A operação
*Cesar foi um dos 24 trabalhadores, migrantes da Venezuela, resgatados em condições análogas à escravidão em uma madeireira, no interior de Santa Catarina, em ação que contou com a Defensoria Pública da União. A operação também teve a participação do Ministério do Trabalho e Emprego, do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Rodoviária Federal.
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