
Santa Catarina intensifica as ações de prevenção e preparação para enfrentar possíveis eventos climáticos extremos associados ao El Niño 2026/2027. O trabalho envolve a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), a Ceasa/SC e a Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca (SAQ). O objetivo é reduzir perdas e ampliar a capacidade de resposta e recuperação das atividades produtivas.
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial Central e Leste. Segundo o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia da Epagri (Ciram), no Sul do Brasil, o fenômeno costuma estar associado a invernos menos rigorosos e ao aumento das chuvas, principalmente na primavera. Embora não seja o único responsável pelas enchentes em Santa Catarina, pode favorecer a ocorrência de cheias.
Entre as medidas de apoio estão programas estaduais para recuperação das atividades atingidas. O Reconstrói SC oferece financiamento sem juros para reconstrução de estruturas, máquinas e equipamentos; o Pronampe Agro SC Emergencial subsidia juros de financiamentos; o Recupera Maçã SC auxilia na reconstrução de pomares; e o Apoio Emergencial para Pescadores Artesanais e Aquicultores é destinado à recuperação de embarcações, equipamentos e materiais.
O Estado também prevê a implantação do Sistema Antigranizo em 27 municípios, com o uso de geradores terrestres que utilizam iodeto de prata para tentar reduzir a formação de pedras de granizo.
A Epagri/Ciram realiza o monitoramento ambiental, emite alertas e fornece informações para orientar decisões do poder público e dos profissionais do setor agropecuário. A instituição também disponibiliza a publicação Orientações Técnicas para Redução dos Impactos do El Niño na Agropecuária, Pesca e Aquicultura de Santa Catarina – Safra 2026/2027, com recomendações para diminuir riscos e prejuízos.
A Cidasc orienta produtores rurais e agroindústrias a acompanhar os alertas meteorológicos e adotar medidas preventivas. Na produção animal, recomenda-se retirar antecipadamente os animais de áreas sujeitas a alagamentos, garantir o abastecimento de ração e organizar a movimentação com orientação técnica, respeitando as exigências de identificação e emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA).
Na produção vegetal, insumos como agrotóxicos, fertilizantes e sementes devem ser armazenados em locais protegidos de chuvas e inundações, separados de alimentos, rações, medicamentos e fontes de água. Depois de eventos extremos, é importante verificar lavouras e pomares em busca de danos, doenças e pragas.
As agroindústrias também devem avaliar a qualidade da água, a refrigeração e as condições de armazenamento após alagamentos, para evitar riscos à saúde dos consumidores.
As ações estão organizadas no Plano de Contingência da Agropecuária El Niño 2026/2027 (PlanCon Agro), elaborado pela Sape, Epagri, Cidasc, Ceasa/SC e SAQ. O documento integra o planejamento estadual para enfrentar os possíveis efeitos do fenômeno e reúne orientações para prevenção, preparação e manutenção dos serviços públicos ligados ao setor agropecuário.
Em situações de risco, a prioridade é a segurança das pessoas e das famílias. A recomendação é acompanhar os boletins meteorológicos e seguir as orientações da Defesa Civil e dos órgãos de emergência municipais. As informações atualizadas sobre o fenômeno podem ser consultadas no site especial da Epagri/Ciram.




