
Um novo diagnóstico do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) acende um alerta sobre a capacidade dos municípios catarinenses de enfrentar desastres naturais. Embora haja evolução em alguns indicadores, o cenário ainda é de vulnerabilidade generalizada diante de enchentes, enxurradas e deslizamentos.
O levantamento aponta que 207 dos 295 municípios do Estado, cerca de 70%, estão sujeitos a ocorrências desse tipo, reforçando a exposição histórica de Santa Catarina a eventos climáticos extremos.
Entre 2023 e o período mais recente analisado, houve avanços na organização da Defesa Civil municipal. O número de cidades com Plano Municipal de Contingência subiu de 160 para 211, indicando maior formalização das estratégias de resposta a emergências. Também foi registrada ampliação de estruturas administrativas e reforço de instrumentos de gestão, como fundos específicos para a área.
Outro dado positivo é a redução de municípios sem estrutura formal de Defesa Civil e o crescimento das ações de fiscalização em áreas de risco, que saltaram de 57 para 151 cidades.
Apesar disso, o próprio Tribunal de Contas destaca um conjunto de fragilidades críticas. Apenas 150 municípios informaram ter realizado capacitações na área, e mais da metade ainda não possui cadastro atualizado de famílias que vivem em áreas de risco, o que compromete diretamente a eficiência em situações de emergência.
O diagnóstico também evidencia lacunas em itens essenciais para a prevenção, como planos de redução de risco, realização de simulados, melhoria dos canais de comunicação com a população e elaboração de cartas geotécnicas.
Diante do cenário, o TCE/SC reforça a necessidade de que os municípios avancem não apenas na estrutura formal, mas principalmente na prevenção e na preparação prática para desastres, em um contexto de aumento da frequência de eventos climáticos extremos.



