
Mesmo diante dos juros elevados, da restrição ao crédito e das incertezas no cenário internacional, a economia de Santa Catarina manteve trajetória de crescimento no início de 2026. A atividade estadual avançou 1% no acumulado dos primeiros cinco meses do ano, segundo o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR-SC), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).
O resultado catarinense ficou próximo, mas abaixo da média brasileira, que apresentou crescimento de 1,2% no mesmo período. Para a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), o mercado de trabalho aquecido e o aumento da renda das famílias ajudaram a manter o consumo e compensaram parte dos efeitos provocados pelo crédito mais caro.
“O crescimento no ano mostra a resiliência da economia de Santa Catarina, impulsionada por um mercado de trabalho aquecido e pelo ganho de renda das famílias. Esse movimento equilibra os efeitos negativos dos juros elevados, que seguem afetando os setores dependentes de crédito”, explica o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme.
O desempenho ganhou força em maio. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a atividade econômica catarinense cresceu 1,5%, superando a alta nacional de 0,8% registrada pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br).
Entre os principais setores, o comércio liderou o crescimento em maio, com avanço de 4,7% na comparação anual. A indústria registrou alta de 0,5%, enquanto os serviços permaneceram praticamente estáveis, com crescimento de 0,1%.
Parte do movimento no comércio foi associada à Copa do Mundo, que ampliou a procura por determinados produtos. As vendas de artigos de papelaria cresceram 52,4%, enquanto os equipamentos de informática avançaram 23,1% e os eletrodomésticos tiveram alta de 11,1%.
Também apresentaram resultados positivos os supermercados, com aumento de 5,9%, e o comércio de artigos farmacêuticos, que cresceu 4,6%. Segundo a Fiesc, a força do consumo contribui para manter a expectativa de expansão da economia estadual ao longo do ano.
“Essa força do consumo sustenta a projeção de alta de 2,3% para o PIB estadual este ano, mesmo com o crédito restritivo decorrente dos juros altos”, afirma o economista-chefe da entidade, Pablo Bittencourt.
Na indústria, o avanço de 0,5% em maio foi sustentado principalmente pela fabricação de produtos de borracha e plástico, que cresceu 18,9%, e pelo setor de vestuário, com alta de 12,6%.
Conforme Bittencourt, o desempenho da indústria de borracha e plástico pode estar relacionado à antecipação da produção e à formação preventiva de estoques. A estratégia seria uma resposta das empresas às incertezas no fornecimento e nos custos provocadas pelo conflito entre Irã e Estados Unidos.
Os números indicam que a economia catarinense continua avançando, mas de forma desigual entre os setores. Enquanto o comércio se beneficia do consumo das famílias e de eventos como a Copa do Mundo, a indústria e outras atividades dependentes de financiamento ainda enfrentam os efeitos dos juros elevados.





