
A preocupação com os efeitos do novo tarifaço norte-americano sobre a economia catarinense levou o Governo de Santa Catarina a anunciar um pacote emergencial de até R$186 milhões para empresas exportadoras. As medidas serão aplicadas durante três meses e têm como principal objetivo preservar cerca de 43 mil empregos diretos.
A iniciativa foi construída com apoio da Federação das Indústrias de Santa Catarina, a FIESC, que contribuiu com dados para identificar os negócios mais expostos. O pacote prevê duas medidas tributárias: a liberação de até R$126 milhões em créditos de ICMS das exportações e a postergação, por 60 dias, do pagamento de até R$60 milhões em ICMS.
Poderão acessar os benefícios empresas que tenham pelo menos 5% do faturamento anual impactado pelo aumento das tarifas. Ao todo, 132 empresas foram classificadas nos níveis de risco gerenciável, relevante, alto e crítico.
Segundo o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, a classificação leva em conta principalmente a participação das exportações afetadas no faturamento das empresas. Quanto maior a exposição ao mercado dos Estados Unidos, maior o risco para o negócio.
O levantamento da Fazenda estadual aponta que Santa Catarina exportou R$6,3 bilhões aos Estados Unidos entre agosto de 2025 e julho de 2026. Desse total, cerca de R$3,8 bilhões, ou 60%, correspondem a produtos potencialmente atingidos pela nova tarifa de 25%.
Apesar do impacto, a maior parte das empresas possui exposição limitada. Cerca de 509 exportadoras, quase 80% do total analisado, tiveram menos de 5% do faturamento afetado e foram classificadas principalmente nos níveis de risco baixo e gerenciável.
Entre os setores mais atingidos está a indústria da madeira e de derivados, incluindo móveis, que representa quase 40% das exportações catarinenses para os Estados Unidos. Também aparecem entre os segmentos mais expostos os fabricantes de motores elétricos e transformadores, com 29,1%, e de blocos de motor, compressores e bombas, com 11,8%.
Distribuição das empresas afetadas

Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, o pacote representa uma tentativa de reduzir os efeitos do tarifaço sobre a economia catarinense.
“A FIESC reconhece os esforços do governo estadual para minimizar o impacto na geração de emprego e renda ao longo das cadeias produtivas das empresas exportadoras diretamente atingidas, dentro do que é legalmente e tecnicamente possível”, afirmou.
Seleme também destacou a importância da diversificação dos mercados.
“A FIESC tem sido um parceiro das exportadoras nesse sentido, promovendo eventos para ampliar relações comerciais com outros países, tendo em vista os recentes acordos comerciais firmados pelo Mercosul”, disse.
A Fazenda estadual ainda analisa a possibilidade de diferimento do ICMS para a compra de insumos e energia elétrica utilizados pelas indústrias. A medida atende a uma demanda apresentada pela FIESC e depende de avaliação jurídica e econômica.
O Governo de Santa Catarina ressalta que as tarifas não representam uma cobrança uniforme de 37,5% sobre todos os produtos. O percentual considera diferentes medidas norte-americanas, além de exceções específicas conforme o produto. Mesmo diante do cenário, as exportações catarinenses cresceram 4,4% em 2025.
Santa Catarina também afirma ser o único Estado brasileiro a adotar pacotes de apoio às empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas nos dois momentos. Em agosto de 2025, o governo já havia anunciado medidas tributárias e financeiras que somaram R$435 milhões em auxílio ao setor produtivo.


