
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina lançou nesta segunda-feira (9) o edital do Prêmio Paz nas Escolas, iniciativa que busca incentivar estudantes a refletirem sobre a cultura de paz e o enfrentamento à violência no ambiente escolar.
A ação é promovida pelo Comitê Integrado para Cidadania e Paz nas Escolas (Integra/SC) e faz parte de um conjunto de medidas previstas para 2026. A proposta é mobilizar alunos do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, das redes pública e privada, para produzirem vídeos com ideias, ações e reflexões sobre temas como violência, bullying e convivência nas escolas.
Os vídeos vencedores receberão premiação em dinheiro e serão divulgados nos canais institucionais do Parlamento catarinense. Cada produção premiada em uma das microrregiões do estado receberá R$ 5 mil. A cerimônia de entrega está prevista para ocorrer no dia 15 de outubro, na sede da Alesc, em Florianópolis, data em que se celebra o Dia do Professor.
Segundo o servidor da Alesc e integrante do Integra/SC, Diego Vieira, a iniciativa pretende ampliar o debate sobre segurança e convivência no ambiente escolar.
“O desafio é mobilizar os estudantes catarinenses a refletirem sobre a importância da cultura de paz nas escolas. Eles devem produzir vídeos com essa temática, conteúdos que despertem a reflexão social”, afirmou.
Outro projeto previsto para 2026 é a criação da chamada Escola de Pais, iniciativa coordenada pela deputada Paulinha (Podemos). O projeto pretende oferecer orientação e suporte às famílias diante de desafios atuais que afetam crianças e adolescentes, como o uso excessivo de telas, o distanciamento familiar e questões relacionadas à saúde emocional.
Para a orientadora educacional Karine Teles, as ações ampliam o alcance das políticas de prevenção à violência. Segundo ela, a construção de uma cultura de paz envolve não apenas a escola, mas também educadores, estudantes e famílias.
Karine destaca que o bullying pode ocorrer de diferentes formas, tanto psicológicas quanto físicas, e exige atenção constante das instituições de ensino.
"É preciso planejamento e um plano de ação que envolva estudantes, professores e famílias. Isso pode ocorrer por meio de palestras, mediação de conflitos e, principalmente, pela vivência diária do respeito e da tolerância como valores fundamentais para a convivência em sociedade”, concluiu.
O Integra/SC foi criado após dois ataques que marcaram Santa Catarina. Em maio de 2021, um homem invadiu uma creche no município de Saudades e matou três crianças e duas funcionárias. Em abril de 2023, outro ataque ocorreu em Blumenau, deixando quatro crianças mortas e cinco feridas.
Diante dos episódios, o comitê foi estruturado como uma política permanente de prevenção à violência escolar e de promoção da cultura de paz. A instalação oficial ocorreu em abril de 2024, reunindo diferentes órgãos públicos para articular estratégias de segurança e convivência nas escolas.
Ao longo de 2025, o grupo também desenvolveu ações voltadas à segurança nas unidades de ensino. Entre elas está a disseminação do PlanCon Edu Multirriscos, plano de contingência que estabelece protocolos de prevenção e resposta a diferentes situações de risco, desde episódios de violência até emergências estruturais e eventos climáticos.
Seminários realizados no estado reuniram mais de 2 mil participantes para discutir gestão de crises, infraestrutura escolar e comunicação em situações. Também foi lançado o Curso Virtual Integra, que capacitou profissionais da educação e da segurança pública em temas como saúde mental, legislação de proteção à criança e ao adolescente e protocolos de atuação em situações de risco.
Além disso, foram ampliadas discussões sobre monitoramento e infraestrutura nas escolas, incluindo a instalação de câmeras, controle de acesso, melhoria da iluminação e definição de rotas de fuga.
Outra ação desenvolvida é o Programa Cetisp – Escola Mais Segura, voltado ao reforço do monitoramento e da presença preventiva nas unidades de ensino, além de ampliar a integração entre a área da educação e as forças de segurança.
O comitê também promoveu debates com universidades por meio do Fórum das Licenciaturas, que tratou da inclusão de temas como cultura de paz, gestão de conflitos e saúde mental na formação inicial de professores.







