
Santa Catarina vai ampliar sua participação no comércio internacional com a implantação de um novo complexo portuário na Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul, no Litoral Norte do Estado. O Porto Brasil Sul (PBS), projeto da Worldport Desenvolvimento Portuário S.A., prevê investimento de aproximadamente R$6 bilhões e a criação de mais de 4,5 mil empregos, considerando as fases de construção e operação.
À frente da empresa responsável pelo empreendimento, Paulo Bauer afirma que o projeto representa um investimento estratégico para a infraestrutura catarinense, tanto pela capacidade de movimentação de cargas quanto pelo modelo de financiamento. Em entrevista à Rede DSC, ele enfatizou que os recursos virão integralmente da iniciativa privada, sem empréstimos, incentivos fiscais ou dinheiro público.
“É um projeto que terá um custo total, o investimento total de 1,4 bilhão de dólares. Ou seja, será um investimento de quase seis bilhões de reais para construirmos o quarto maior porto em mar no Brasil”, declarou Bauer.
O executivo ressaltou que a dimensão financeira e a importância logística do empreendimento justificam a atenção ao projeto.
“Não tem um centavo de dinheiro público, não tem nenhum benefício fiscal, não tem um centavo de empréstimo, não tem nada. É 100% privado”, afirmou.
A expectativa de Paulo Bauer é que a entrada em operação do Porto Brasil Sul contribua para posicionar Santa Catarina entre os principais centros portuários do país. Segundo ele, o empreendimento terá capacidade para receber cargas destinadas ao mercado nacional e ampliar o escoamento da produção brasileira para o exterior.
O CEO estima que o terminal possa estar em pleno funcionamento dentro de cinco a seis anos. Nesse cenário, o Estado teria condições de avançar na disputa por participação no comércio internacional e fortalecer sua estrutura logística.
“Já temos portos grandes em Santa Catarina, como Imbituba, Itajaí, Navegantes, São Francisco do Sul e Itapoá. Mas, com certeza, com o nosso porto, daqui a cinco, seis anos, já em pleno funcionamento, Santa Catarina vai se tornar o segundo complexo portuário do Brasil. Nós só vamos ficar atrás de São Paulo”, projetou.
Para Bauer, a expansão da atividade portuária catarinense encontra respaldo em características geográficas e econômicas do Estado. Ele aponta a extensão do litoral, a presença de empreendedores e a disponibilidade de mão de obra como fatores que favorecem novos investimentos no setor.
“Santa Catarina será o segundo complexo portuário do Brasil em dez, quinze anos, sem dúvida nenhuma, porque nós temos litoral para isso, nós temos empreendedores para isso, nós temos mão de obra para isso e nós temos, principalmente, uma coisa: nós temos condições geográficas apropriadas para isso”, disse.
A perspectiva apresentada pelo executivo considera o desenvolvimento conjunto da estrutura portuária catarinense, e não apenas a implantação de um único terminal. O Porto Brasil Sul é apontado pela empresa como parte desse processo de ampliação da capacidade logística do Estado.

Além dos efeitos esperados sobre o transporte de cargas, o empreendimento projeta impactos na economia de São Francisco do Sul e dos municípios do entorno. A estimativa é de mais de 2,5 mil postos de trabalho durante a construção e outros 2 mil empregos diretos na operação.
A movimentação econômica também poderá alcançar setores como comércio, serviços e transporte, além de contribuir para a arrecadação municipal. Os resultados, contudo, dependem da implantação do projeto e do início efetivo das atividades.
A estrutura planejada terá cinco terminais especializados e seis berços de atracação, com operações voltadas a contêineres, grãos, fertilizantes, carga geral e veículos. A proposta é ampliar a capacidade de atendimento a diferentes segmentos e contribuir para reduzir gargalos na logística de importação e exportação.
Ao falar sobre o empreendimento, Bauer também demonstrou entusiasmo com a perspectiva de desenvolvimento regional.
“Me anima muito todo dia, de novo, acordar e ver assim o navio partindo”, afirmou.
O Porto Brasil Sul foi concebido com soluções de engenharia que, segundo a empresa, buscam reduzir os impactos ambientais da construção e da operação. Entre os diferenciais apresentados está a proposta de não realizar derrocagem, procedimento que envolve a fragmentação ou remoção de rochas subaquáticas.
O projeto também prevê aproveitar o calado natural da região, superior a 18 metros, reduzindo a necessidade de dragagem. A localização na desembocadura marítima da Baía da Babitonga é apontada como uma vantagem para receber embarcações de grande porte.
Outro recurso previsto é a tecnologia cold ironing, que permite fornecer energia elétrica aos navios atracados. Com o abastecimento em terra, as embarcações poderão desligar os motores a diesel durante a permanência no terminal, reduzindo emissões atmosféricas e ruídos.
A proposta inclui ainda medidas de compensação ambiental, com previsão de preservação ou recuperação de um hectare de vegetação nativa para cada hectare interceptado, observados os critérios aplicáveis. Essas iniciativas integram o conceito de Green Port, apresentado pela empresa como uma diretriz para o desenvolvimento do empreendimento.
O processo de licenciamento ambiental teve início em 2015, quando foi protocolado o pedido de Licença Ambiental Prévia (LAP) junto ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). Em 2017, uma audiência pública sobre o projeto reuniu mais de 1,7 mil participantes.
Entre 2018 e 2023, uma discussão na Justiça Federal tratou da competência para conduzir o licenciamento, com confirmação da atribuição do IMA. Já em janeiro e fevereiro de 2026, foi emitida a Licença Ambiental Prévia nº 428/2026, após reanálise pela Comissão Central de Licenciamento Ambiental, com respaldo da Procuradoria do órgão.
A licença atesta a viabilidade locacional do empreendimento e estabelece 13 condicionantes para as etapas seguintes. Conforme as informações divulgadas pela empresa, o documento permanece válido, e o processo segue em direção à obtenção da Licença de Instalação (LI), com adequações relacionadas às áreas de compensação ambiental.
A implantação do Porto Brasil Sul ainda depende do cumprimento das etapas de licenciamento e das condicionantes estabelecidas pelos órgãos competentes. Para Paulo Bauer, porém, a perspectiva é de que o investimento amplie a capacidade portuária catarinense e fortaleça a posição do Estado nas rotas do comércio internacional.











