
A repercussão da morte do cão comunitário Orelha ganhou um novo e contundente capítulo. O Ministério Público de Santa Catarina abriu inquérito civil para investigar a atuação do ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, por suspeitas de irregularidades durante a condução do caso.
A medida amplia o alcance das apurações iniciadas em fevereiro, quando um procedimento preparatório foi instaurado após uma série de representações contra o então chefe da corporação. Com a análise do material reunido, a promotoria decidiu avançar para uma investigação mais aprofundada.
No centro do inquérito estão possíveis condutas consideradas graves. Entre elas, o suposto abuso de autoridade ao antecipar publicamente a atribuição de culpa antes do encerramento das investigações, possível violação de sigilo funcional com vazamento de informações e eventual prática de improbidade administrativa.
Também será analisado se houve uso indevido da visibilidade institucional para promoção pessoal, hipótese prevista na legislação atualizada sobre improbidade.
Ulisses Gabriel foi oficialmente notificado e terá prazo de 15 dias para apresentar sua versão dos fatos diante das acusações levantadas. Em resposta, a defesa do ex-delegado-geral, representada pelo escritório Mathaus Agacci Advogados, reagiu com firmeza. Em nota, os advogados afirmam que não houve qualquer irregularidade e classificam as informações divulgadas como carentes de “contextualização jurídica adequada”.
Segundo a defesa, Ulisses atuou estritamente como porta-voz da Polícia Civil, limitando-se a prestar esclarecimentos públicos em um caso de grande repercussão. O posicionamento reforça que ele não presidiu a investigação e não realizou atos investigativos, atribuição que, conforme destacado, coube exclusivamente aos delegados responsáveis.
Os advogados também questionam a própria condução do procedimento, argumentando que a apuração de eventuais crimes envolvendo autoridade com prerrogativa de foro dependeria de autorização do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Já a Polícia Civil declarou que as investigações foram conduzidas pela Delegacia de Proteção Animal e pela Delegacia do Adolescente em Conflito com a Lei, com autonomia dos responsáveis e sem interferência externa.
O caso segue em apuração e deve avançar nas próximas semanas com a análise da manifestação do ex-delegado-geral, em meio a um cenário de forte repercussão e pressão por esclarecimentos.







