
Uma investigação que começou diante de uma morte tratada inicialmente como suicídio terminou, quase três anos depois, com a condenação do companheiro da vítima por feminicídio em Jupiá, no Oeste de Santa Catarina. O Tribunal do Júri da Comarca de São Lourenço do Oeste condenou o homem, nesta sexta-feira (18), a 34 anos, um mês e 18 dias de reclusão.
O crime ocorreu em 14 de dezembro de 2023. Segundo a investigação da Polícia Civil, a cena da morte teria sido manipulada para criar a aparência de um suicídio e esconder o assassinato. A partir do aprofundamento das diligências, os investigadores identificaram elementos que apontaram para uma dinâmica diferente daquela registrada inicialmente.
A apuração também revelou um histórico de violência doméstica, com relatos de ciúmes, ameaças e comportamento controlador por parte do acusado. Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil o indiciou por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil, emprego de asfixia, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e feminicídio, além de fraude processual.
A prisão preventiva foi cumprida em dezembro de 2025. Desde então, o caso avançou para o julgamento, que começou na quinta-feira (17) e se estendeu por mais de 20 horas, até a decisão do Conselho de Sentença na tarde desta sexta-feira (18).
Além dos 34 anos, um mês e 18 dias de prisão, a sentença estabeleceu 44 dias-multa e determinou o pagamento de R$100 mil aos herdeiros da vítima como reparação por danos morais.
A condenação encerra uma investigação marcada pela reconstrução da dinâmica do crime e pela análise de diferentes elementos reunidos pela Polícia Civil. O caso, inicialmente registrado como suicídio, terminou reconhecido pelo Tribunal do Júri como feminicídio, com a responsabilização penal do acusado.