
As eleições de 2026 ampliaram a presença feminina no Congresso Nacional. A partir de fevereiro de 2027, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal terão as maiores bancadas femininas já registradas na história. Na Câmara, o número de mulheres eleitas passou de 90 para 109, um crescimento de 21,1%.
O resultado chama atenção também porque ocorreu mesmo com uma redução no número de candidaturas femininas à Câmara. Em 2022, 3.317 mulheres disputaram uma vaga de deputada federal. Em 2026, foram 2.820 candidatas, segundo os dados apresentados pela Câmara dos Deputados.
Das 109 deputadas eleitas, 59 conseguiram a reeleição, enquanto 50 chegarão à Câmara para um novo mandato. Mesmo com o crescimento, as mulheres continuarão sendo minoria na Casa, serão 109 das 513 cadeiras, o equivalente a 21,2% da composição, contra 404 homens.
A federação formada por PT, PCdoB e PV elegeu a maior parcela da bancada feminina, com 34 deputadas. São Paulo foi o estado que mais elegeu mulheres, com 16 representantes, seguido por Minas Gerais, com 11, e Rio de Janeiro, com dez. Bahia, Pernambuco e Santa Catarina elegeram seis deputadas cada.
No Senado, o resultado das urnas também estabeleceu um novo marco. Das 54 vagas colocadas em disputa neste ano, 12 foram conquistadas por mulheres. É o maior número de mulheres eleitas para o Senado em um mesmo pleito desde a redemocratização. O recorde anterior havia sido registrado em 2002, quando oito mulheres foram eleitas.
As novas senadoras tomarão posse em fevereiro de 2027 e terão mandato de oito anos, até 2035. Com as eleitas neste ano e as mulheres que permanecerão com mandato, a bancada feminina deverá passar das atuais 15 para 18 integrantes. Se a composição se confirmar, elas ocuparão 22,2% das 81 cadeiras do Senado.
Entre as 12 eleitas estão Mara Rocha, pelo Acre; Marina JHC, por Alagoas; Rayssa Furlan, pelo Amapá; Luizianne, pelo Ceará; Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, pelo Distrito Federal; Gracinha Caiado, por Goiás; Marília Campos, por Minas Gerais; Marília Arraes, por Pernambuco; Samanda de Lula, pelo Rio Grande do Norte; Teresa Surita, por Roraima; e Carol de Toni, por Santa Catarina.
O Distrito Federal também estabeleceu um marco inédito ao eleger duas mulheres para o Senado na mesma eleição. A partir de 2027, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis se juntarão a Damares Alves, que já possui mandato até 2031, formando uma representação feminina nas três cadeiras do DF.
Apesar dos recordes, a presença feminina continuará abaixo da metade das cadeiras nas duas Casas. Na Câmara, as 109 deputadas representarão pouco mais de um quinto dos parlamentares. No Senado, as 18 mulheres previstas representarão pouco mais de um quinto das 81 vagas.
O resultado de 2026, portanto, amplia a participação das mulheres no Congresso e estabelece novos recordes históricos, mas a composição para a próxima legislatura ainda mantém uma maioria masculina tanto entre os deputados quanto entre os senadores.



